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quinta-feira, 6 de abril de 2017

JUIZ DREDD – HEAVY METAL, de John Wagner, Alan Grant, Simon Bisley, Brendan McCarthy e outros , ou “Quem ligou a loucura no máximo em Mega City Um, Velhinho???”

Por EDUARDO CRUZ




Alguns de vocês podem até ficar perplectos, mas o Juiz Dredd não é um herói (ou mesmo um anti-herói) por quem torcer. Segundo o próprio criador do personagem, o roteirsta John Wagner, Dredd é uma paródia a todo um estado de coisas que começava a se instalar no Reino Unido do final dos anos 70, e que culminou no já notoriamente opressor e extremamente conservador (alguns diriam retrógrado!) governo Thatcher, que chegou às raias do fascismo, com atitudes que não deixam nada a dever a nenhuma distopia da literatura, executando decisões geniais como a criminalização da homossexualidade, o enfraquecimento dos sindicatos e privatização de patrimônio público, entre outras políticas unilaterais. A arte, como um veículo denunciador, contra-atacou mais ou menos na mesma época, e motivado pelos mesmos fatores, além do Juiz Dredd, testemunhamos pelas mãos de Alan Moore a criação de seu distópico “V de Vingança”.

Morcegos não têm vez na Megona!!
Embora Dredd e V, ambos em seus próprios universos, fossem estabelecidos em lados diferentes da lei, a piada tinha o mesmo alvo: o governo em exercício na época das publicações. O protagonista de “V de Vingança” tem seu antagonismo bem definido logo nas primeiras páginas, mas John Wagner foi mais sofisticado ao fazer a crítica de forma tão avessa e hiperbólica: Dredd representa o autoritarismo acéfalo, o poder pelo poder.  Quem entendeu a piada se diverte com as aventuras do Juiz, que mantém a ordem em Mega-City 1 com pulso de ferro. Dredd sempre cumpre a lei. Sempre. O que é diferente de afirmar que ele serve à Justiça. Ambas, algumas vezes, caminham em direções opostas (principalmente na vida real).

Arte chapante de Brendan McCarthy


As histórias compiladas em “Juiz Dredd – Heavy Metal” têm como espinha dorsal aquele conceito pós-apocalíptico com o qual qualquer um (que tenha lido duas ou três HQs ou assistido ao filme do Dredd) já está familiarizado, todo o bê-á-bá dos juízes, as Mega-Cidades, a Terra Maldita, etc. Tudo, porém, muito mais comicamente violento e surreal. As histórias contidas nesse encadernado diferem do material regular do personagem porque não são histórias publicadas na 2000AD ou na Judge Dredd Megazine, e sim histórias que saíram na revista musical Rock Power. Com roteiros engraçados, imprevisíveis e brutais, além da pegada mais "metal" das histórias. Justificável, levando em conta a publicação em que as histórias eram veiculadas.


O nível de violência dessas histórias é bem mais intenso e absurdo do que as histórias "sérias" do Juiz Dredd. Pense naquele Looney Tunes clássico, (Sim, aquele mesmo, que não é veiculado mais em lugar nenhum porque as pessoas realmente acham que incitava as crianças à violência :>P) em que o Patolino toma tiros de espingarda na cara à queima roupa, ou marteladas na cara do Eufrasino, ou bigornas caindo na cabeça do Coiote, mas ao invés da plasticidade cartunesca dos personagens, onde o tiro de espingarda deixava o rosto do cartoon apenas com a cara cheia de fuligem ou uma marretada na cabeça dava apenas aquele amassado no topo da cabeça, para no fotograma seguinte vermos os personagens 100% restaurados novamente, em “Juiz Dredd – Heavy Metal” vemos os efeitos de uma pancada de cassetete em efeito realista (eu diria hiper-realista-gore, já que não raro globos oculares saltam das órbitas e dentes caem às dezenas com uma porretada bem dada), ou um tiro que arranca metade do rosto de um vagal. Ou sejE, é a violência dos Looney Tunes com as conseqüências físicas da realidade + um roteirista sádico pra dar aquela exagerada...

Será que sou perverso demais por achar graça nisso?



Nu, cru, sangrento e ainda assim de chorar de rir com o ridículo das situações, em plots impensáveis no título regular do personagem, como por exemplo “A Cartilha de Mega-City”, que é um número musical (!?!?!?!) retratando a rotina de Dredd no exercício do dever; “A Fuga das Galinhas”, que mostra uma ridícula (aliás, o adjetivo mais usado para as histórias nesse volume rs) rixa entre moradores de conjuntos habitacionais rivais; “Véspera de Natal” mostra que Dredd não alivia nem pro lado do Bom Velhinho; “Bimba”, uma piração transdimensional passada em uma floresta com bichinhos falantes e que termina em massacre, e “A Balada de Toad MacFarlane”, onde vemos Dredd caçando um mutante em quem muita gente gostaria de dar um beijinho, são apenas algumas das histórias do encadernado, que reúne 19 histórias curtas no total. O acabamento do encadernado é o mesmo que vem sido dados aos volumes anteriores do personagem, em capa dura e papel couché.


No que diz respeito à arte, esse volume conta com o detalhismo de Simon Bisley para retratar os mais diversos tipos de lesões e tiros das mais diversas gravidades, além de nomes consagrados no mercado britânico, como Colin MacNeil, Dean Ormston e John Hicklenton. E fechando o volume, a arte lisérgica de Brendan McCarthy, que, em minha opinião de merda, combinou ainda mais com o tom dessas histórias do que o próprio Bisley e companhia!






Em primeira mão o resultado do crossover Juiz Dredd vs. Bamb..., digo, Bimba!

Em resumo, uma HQ divertida como um mix de Tarantino com Takashi Miike. E se você se diverte com tiroteios, incinerações, banhos de sangue, queimaduras, motosserras, macacos assassinos, defenestrações, vísceras expostas, mutilações em geral e sapos mutantes com secreções alucinógenas na pele (acho que se você chegou até esse trecho do texto, já gastou todos os “WTF!?” que podia e está cansado demais pra soltar mais um rs), “Juiz Dredd – Heavy Metal” é uma leitura mais leve na crítica social, porém mais anabolizada em suas situações de violência estilizada. Para quem está atrás de uma leitura leve, - apesar da violência, por mais contraditório que possa soar - rápida e divertida.



AGORA, CHEGA DE VADIAGEM E SIGAM EM FRENTE, VAGAIS!!
CIRCULANDO, CIRCULANDO!!!!!

NÃO VOU AVISAR NOVAMENTE!!!




 

quinta-feira, 9 de março de 2017

CHOQUES FUTURISTAS, de Alan Moore, ou "O antes de Watchmen que vale!"






Por EDUARDO CRUZ


Alan Moore: O Mago Supremo.
Ilustração de Caio Oliveira
Alan Moore: Mago Supremo das Tretas, Messias e Salvador dos comics nos anos 80, Pai-de-Watchmen, Sacerdote do Deus-Cobra Glycon, Reverendo Prometéico, Bruxo Suburbano... Os epítetos que poderíamos imputar ao Barbruxão de Northampton são muitos, já que Moore não construiu apenas uma carreira, mas também todo um status de lenda em torno de si. Seu trabalho, seja em editoras grandes, como Marvel e DC, ou em editoras menores e até os publicados de forma independente são com freqüência elogiados, e em sua maioria, acima da média do que a indústria produz. Moore sempre explorou o potencial máximo que os quadrinhos poderiam oferecer como mídia, muitas vezes contando histórias de maneira não convencional, em verdadeiras demonstrações geniais de desconstrução, pensamento lateral, exprimindo passagens de tempo fora de modelos convencionais, etc. Um roteirista desse calibre costuma despertar um interesse tão grande por parte dos leitores que quando nos damos conta estamos pesquisando a bibliografia do indivíduo, procurando o que mais ele produziu além do que já conseguimos ler aqui e ali. Pois bem, a Mythos Books, para alegria os arqueólogos Mooreanos, escavou os primórdios da carreira do Rouxinol de Northampton na 2000A.D., a revista britânica seminal, que revelou muitos talentos para o resto do mundo. Gente boa como Grant Morrison, Peter Milligan, Jamie Delano, Garth Ennis, Mark Millar - só pra mencionar os mais populares - já foram roteiristas da casa. Antes da 2000 A.D., Moore só havia escrito para fanzines próprios ou como convidado de outros, e também para a revista britânica Sounds, onde fazia resenhas, entrevistas e tiras que ele próprio desenhava.



A 2000A.D. sempre teve suas séries longas e suas pequenas antologias de histórias curtas, e para o novato Moore sobrou a segunda opção, uma vez que os editores da revista nunca davam uma série longa a roteiristas e desenhistas iniciantes, preferindo deixá-los com algo menor, e que obviamente, na condição de novatos, pudessem ter maior controle, narrativamente falando. 
"Roteiristas e desenhistas começavam as carreiras com histórias fechadas, geralmente de duas a cinco páginas. A maioria dos gibis britânicos tinha espaço para histórias desse tipo, nem tanto pelo espaço que dava aos editores para testar novos talentos, mas por permitir um cronograma mais flexível do que a lista de atrações regulares. Na 2000 AD, essas histórias eram publicadas sob os títulos Choques Futuristas e Distorções Temporais. Futuros escritores de renome, como Neil Gaiman, Grant Morrison e Peter Milligan, fariam sua estréia na 2000 AD escrevendo choques futuristas; era assim que a maioria dos escritores e desenhistas conseguia uma chance na revista." (PARKIN, Lance. Mago das Palavras: A Vida Extraordinária de Alan Moore, Ed. Marsupial, 2016, p.65)
Desde sempre ousando novos formatos: a página como um dispositivo de tradução




Entre essas seções antológicas de histórias curtas da revista, haviam os Choques Futuristas de Tharg, contos com foco em ficção científica – a alma da 2000 A.D.! –, os Contos Robóticos do Ro-Bocão, uma espécie de Black Mirror com uma pitada de humor negro, e as Distorções Temporais, que como o próprio nome sugere, são contos sobre viagens e paradoxos temporais. Além disso, Moore também já dava o passo seguinte rumo a narrativas mais prolongadas com seu personagem Abelard Snazz, o homem com cérebro duplex, e suas desventuras universo afora. Entre 1980 a 1984, Moore produziu histórias dentro dessas seções na revista, e são essas histórias que o encadernado da Mythos Books compila em sua totalidade. Boa parte dessas histórias curtas saiu anteriormente no Brasil ao longo das vinte e poucas edições da Juiz Dredd Megazine, que a Mythos publicava mensalmente por aqui. O encadernado reúne essas e mais as que não chegaram a ser publicadas por conta do cancelamento da revista.

"Moore tinha uma ambição evidente na 2000 AD: "Na época, eu queria muito, mas muito ter uma série regular. Eu não queria mais curtas. Queria uma série regular, contínua, que rendesse grana fixa. Mas não era o que me passavam. O que me passavam eram histórias de quatro ou cinco páginas nas quais tudo tinha que se resolver naquelas cinco páginas. Em retrospecto, foi a melhor instrução que eu podia ter em termos de construir trama." Moore passou a saborear o desafio de criar novas reviravoltas e estruturas de trama ainda mais elaboradas: "Eu percebi que, depois de alguns anos numa tira semanal que eu fazia, era quase obrigação você aprender a contar uma história em série... Eu havia aprendido a mecânica de contar a história sob encomenda, toda semana, de um jeito que fosse minimamente interessante para manter o leitor entretido e para impedir que o editor a substituísse por algo mais comercial."" (PARKIN, Lance. Mago das Palavras: A Vida Extraordinária de Alan Moore, Ed. Marsupial, 2016, p.77)






Posteriormente, Moore assumiu a autoria de séries mais longas na revista, e outros materiais dessa mesma época publicados na 2000 A.D. e na Warrior incluem "The Bojeffries Saga", “A Balada de Halo Jones“ (já publicada pela Mythos), “Skizz” e “D.R. & Quinch” (esses dois serão relançados ainda esse ano em volume único!), mas isso é assunto pra outro post ;>).



Não queria ser polêmico, mas esse conto é idêntico ao conto "Caminhões", de Stephen King rs

Com plot twists inspiradíssimos em “Além da Imaginação”, de botar no chinelo até M. Night Shyamalan e com muito humor (algo que Moore deixou um pouco de lado ao longo dos anos), “Choques Futuristas” é um material pros mais diversos gostos, alternando de comédia a ficção científica ao horror, algumas vezes com dois ou mais desses elementos na mesma história, harmoniosamente. Subvertendo clichês e distorcendo a percepção do leitor, Moore nos conduz durante a história, para no final concluir sempre na contramão de tudo que ele levou o leitor a crer até aquele momento, e mesmo um final perturbador é divertido demais. Viradas inteligentes na trama, onde o herói é o escroque, e o monstro não é quem fomos levados a crer a princípio. Onde um cientista de um planeta moribundo envia seu filho em um foguete à Terra, mas o que acontece em seguida é diferente da história que conhecemos Desde Crianças. O conto em formato de fábula sobre um menino glutão que encontra estranhos visitantes. Ou a história do homem reversível, que vive sua vida do momento de sua morte até seu nascimento, nessa ordem! Ou ainda o estranho invasor alien, que nada mais é do que uma idéia que se espalha, infectando as mentes humanas.

Tanto nos Choques futuristas como nas Distorções temporais Moore utiliza conceitos científicos (se eu fosse professor de física, leria o conto sobre entropia e a segunda lei da termodinâmica em sala de aula!) de forma fantástica e profunda, e em certos momentos a piração científica com enredo inteligente, ácido e jocoso lembra muito a animação Rick & Morty.



E também tem Abelard Snazz, um supergênio mutante, com um cérebro de dois andares. O aspecto mais divertido das histórias de Abelard Snazz é que seus apuros, causados sempre por seu enorme ego, aumentam de proporção em relação à última história, em um crescendo onde só mesmo o Dr. Manhattan poderia prever até onde Moore levaria o personagem se tivesse continuado a escrevê-lo por mais tempo.
"Moore descobriu que conseguia criar algumas histórias contínuas dentro do formato de história fechada: "Eu queria muito fazer um personagem que tivesse continuidade. Se você recebia essas curtas com regularidade, uma das opções que se tinha era criar um personagem fixo ou outra forma de continuidade que conectasse as curtas. Em 2000 AD eu havia feito algumas histórias com um personagem chamado Abelard Snazz, 'O Homem do Cérebro Duplex'. Era baseado numa ilusão ótica que eu havia visto de um homem com dois pares de olhos, uma imagem perturbadora." Se fosse bem-aceito, quem sabe ele até podia virar série: "Se eu conseguir apresentar um personagem que ganhe popularidade e conseguir conectar estas histórias pequenas de forma que elas constituam uma narrativa maior, para mostrar que eu consigo dar conta... de um arco maior, então quem sabe isso renda trabalho no futuro. Creio que tenha sido esse o raciocínio mercenário e simplório por trás da estratégia.""(PARKIN, Lance. Mago das Palavras: A Vida Extraordinária de Alan Moore, Ed. Marsupial, 2016, p.78)



Como se Alan Moore não fosse o suficiente para tornar esse “Choques Futuristas” uma pérola, não posso me esquecer de citar os artistas que colaboraram ilustrando as histórias, algumas lendas dos desenhistas britânicos no meio: Steve Dillon, John Higgins, Alan Davis, Bryan Talbot, Dave Gibbons, Garry Leach, Brendan McCarthy....

Quem se habilita??? Ouvi dizer que o salário é bom.

Um volume que agrada tanto a fãs especificamente de Alan Moore como também a fãs de ficção científica em geral, “Choques Futuristas” é divertido e despretensioso, e é um registro de que os primeiros passos do Bruxão já eram bastante inspirados, e foi na 2000 A.D. que ele começou a aprender as manhas de seu ofício e soltar a imaginação em vôos muito maiores...

O resto, como dizem, é história! E quanta história!

Ilustração por Alex Ross

"Não vou dizer que fiz um serviço ótimo, mas parece que funcionou. E essa é a melhor maneira de aprender a escrever: comece com algo que você considera muito pequeno para render uma boa história e aí descubra uma maneira de contar uma boa história dentro desse espaço."(PARKIN, Lance. Mago das Palavras: A Vida Extraordinária de Alan Moore, Ed. Marsupial, 2016, p.65)




terça-feira, 7 de março de 2017

MISSIONÁRIO: LUA DE SANGUE, de Gordon Rennie, Frank Quitely e Garry Marshall, ou “Expulsando o Satanás NA BALA!!!”

Por EDUARDO CRUZ





O Pastor Cain, também conhecido como “Missionário”, surgiu nas páginas da “Judge Dredd Megazine”, uma publicação que conta histórias de personagens periféricos ambientadas neste universo do Juiz Dredd, em 1993, até que em 1998 migrou para a revista 2000 A.D. Weekly. Uma espécie de Texas Ranger, o Pastor prega a justiça e a palavra divinas enquanto vagueia pela Terra Maldita, a grande área desolada fora das Mega Cidades dos Juízes, colocando os descrentes na linha com uma bíblia e duas armas enormes nos coldres. Assim como os Juízes, Pastor Cain mantém a lei e a ordem entre os mutantes e os excluídos, mas de maneira, digamos, um tanto mais rústica que nas Mega Cidades. O Reverendo tem uma característica bastante peculiar: enxerga seu trabalho como uma missão que lhe foi designada pelo próprio Deus todo poderoso, e entre facadas, bíblias explosivas e muitos, mas muitos tiros, Cain sempre cita passagens bíblicas enquanto trabalha para promover o encontro dos ímpios com o criador. Uma idiossincrasia que lembra bastante o personagem principal de “Apenas um Peregrino”, criação de Garth “Preacher-Hellblazer” Ennis. Ambos os personagens são bem semelhantes nesse sentido, então se você gosta de um, certamente vai curtir o outro.







Esse volume de “Missionário: Lua de sangue”, lançado pela Mythos Books aqui no começo desse ano, compila as primeiras histórias do personagem, a maior parte delas desenhadas por um Frank Quitely (Os Invisíveis, Novos X-Men, Batman & Robin, WE3, Watchmen por GrantMorrison ;>)) em início de carreira, mas já ostentando toda a perícia e detalhismo que faz a fanboyzada babar ao redor do globo. Além de Quitely, nesse volume temos artes de Garry Marshall, porém mais da metade do encadernado de 112 páginas é com a arte de Frank Quitely. Se você fez como eu, e comprou porque 1) É leitor de Juiz Dredd e da 2000 A.D. em geral e 2) é entusiasta do gênio Quitely, não vai se arrepender em nenhuma das circunstâncias. Para quem leu pouca coisa de Juiz Dredd, mas conhece o básico, como o que são as Mega-Cidades e a Terra maldita, também vai curtir a leitura sem a impressão de ter caído de pára quedas no meio da história. Na verdade, assistir aos cinco primeiros minutos do excelente Dredd (2012) já basta. Não, pelamordedeus, não o do Stallone......


Arte de Garry Marshall






Para quem não se sente desconfortável ou se escandaliza quando o assunto é religião, “Missionário: Lua de Sangue” é diversão garantida. A crítica às instituições cristãs, do jeitinho cheio de humor negro e cinismo extremo que só os britânicos sabem fazer, mesclada à violência gráfica, que é marca registrada das HQs do Juiz Dredd, ilustrada por um dos grandes desenhistas de quadrinhos em atividade atualmente, com os hilários e ultraviolentos sermões especiais do Reverendo Caim para levar à frente sua missão contra o maligno, tudo isso embalado nos moldes de um grande faroeste pós-apocalíptico. É o que você encontra nesse volume. Agora, se você é cristão e não é a favor de armas de fogo e explosivos para espalhar a palavra da salvação, pode continuar com o método tradicional de agressão cristã mesmo: