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terça-feira, 19 de setembro de 2017

UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA de Robert A Heinlein, ou "Faça Amor, Não Faça Guerra"






Por RICARDO CAVALCANTI





Há muitos anos venho ouvindo falar do livro Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert A. Heinlein, que havia ajudado a pavimentar o caminho para o movimento da contracultura que permeou boa parte dos anos 1960/70 e se transformou na marca daquela época. No entanto, a possibilidade de um relançamento por aqui era bastante remota. A última edição havia sido a de 1992 pela editora Record, sendo possível encontrar somente em sebos e em estado de conservação nem sempre muito animador. Felizmente estamos vivendo uma época em que passamos a ter acesso a obras clássicas e icônicas novamente em nossas mãos. Ponto para a Aleph, que vem se mostrando comprometida em trazer obras clássicas da ficção científica e vencedoras de importantes prêmios do gênero. Um Estranho numa Terra Estranha foi vencedora do Prêmio Hugo em 1962 na categoria principal. Robert A. Heinlein compõe a seleta galeria de vencedores da premiação que contêm nomes como: Isaac Asimov, Frank Herbert; Arthur C. Clark, Willian Gibson, China Miéville e Cixin Liu, autores que já chegamos a resenhar uma obra ou outra aqui no Zona Negativa.

Robert Heinlein


Mas o que torna essa obra tão importante? Para responder a isso, precisamos contextualizar um pouco. No ano de lançamento do livro o mundo estava em transformação. A Guerra do Vietnã acontecendo, o Muro de Berlim sendo construído, o fracasso na tentativa da CIA de invasão da Baía dos Porcos, a luta por igualdade racial nos Estados Unidos, Yuri Gagarin indo ao espaço (literalmente), guerra fria e tensão mundial a todo vapor. Momentos de crise costumam gerar transformações na percepção da população de como ela vê o mundo ao seu redor e como ela está inserida nesta realidade. Nesses momentos é que a arte se mostra mais importante, tendo essencial papel na transformação do status quo, seja pelo cinema, música, literatura, ou qualquer outra manifestação artística. A arte pode (e deve) ser transformadora. Bom, vamos ao livro!



Partindo do título, que é uma referência ao Velho Testamento da Bíblia, em Êxodo, capítulo 2 versículo 22, Heinlein já começa mostrando que pretende pisar em terreno perigoso. Mesmo assim, o faz de maneira bastante sutil. Conta a história de Michael Valentine Smith, que nasce em uma nave que estava em uma expedição à Marte e que acaba perdendo contato com a Terra. Sendo o único sobrevivente, acaba sendo criado pelos habitantes do Planeta Vermelho, aprendendo os costumes e a forma de enxergar a vida, que é bastante peculiar e muito diferente da nossa. Uma outra expedição é enviada novamente à Marte, vinte e cinco anos depois, quando se descobre a existência de um sobrevivente, que seria herdeiro de uma grande fortuna. A partir daí acompanhamos sua história e sua adaptação, passando pelo seu entendimento sobre a sociedade encontrada por aqui. Esta interação muda não só Smith, mas também a própria Terra. A trama se passa num futuro pós Terceira Guerra Mundial e que as viagens especiais são mais corriqueiras e simples.



O Homem de Marte”, ou simplesmente “Mike”, depois de chegar a Terra, é recebido por agentes do governo, que tratam logo de deixá-lo internado em um hospital para ficar em “observação”, sem contato com o resto da população (sobretudo do sexo feminino). Enquanto isso, para atender aos interesses da mídia em descobrir mais sobre este curioso humano com experiências tão únicas, é apresentado ao mundo um ator que se passa por Valentine Smith.

Jill, uma enfermeira que é namorada do repórter Ben Claxton, é induzida por ele a ter um contato mais direto com Mike, principalmente após perceberem a farsa por trás do “Homem de Marte” que apareceu na TV. Jill consegue entrar escondida no quarto em que está o verdadeiro Smith e, em um gesto simples e comum (compartilhando um copo com água), acaba criando uma forte ligação entre os dois. Burlando o forte esquema de segurança que estava “protegendo” Mike, Jill consegue retirá-lo do hospital disfarçando-o como um paciente qualquer. Neste momento, vemos o Homem de Marte exibir, pela primeira vez, algumas de suas habilidades que são humanamente incomuns.



Jill acaba escondendo-o na casa de Jubal Harshaw. Jubal é um escritor que está quase aposentado, que gosta de se apresentar como um bon vivant, muito rico e apreciador das coisas boas da vida, além de possuir a mente bastante aberta (principalmente para as coisas que viria a presenciar). É um personagem bastante interessante - e um dos meus preferidos - que vai costurando o desenvolvimento da história de maneira bastante orgânica, sendo o fio condutor de boa parte da trama.



Com uma inteligência acima dos padrões humanos, aliado à inocência quase infantil do personagem, Mike vai buscando grokar a Terra e a sociedade humana (o termo “grokar”, inventado pelo autor, que possui uma grande gama de significados, foi incorporado à língua inglesa após a obra). 
 



Mike passa a transformar a todos ao seu redor. Gerando um sentimento como o de uma espécie de espírito livre, em que toda forma de amor passa a ser válida: sem limites, sem censuras, sem pudores e sem travas morais. O Homem de Marte encara o sexo como algo muito maior que uma união de corpos em busca de prazer; é uma conexão além da carne. Somos apresentados a não apenas uma ideologia de vida, mas uma nova maneira de encarar os  semelhantes e o mundo ao nosso redor; com tolerância filosófica, libertarismo humano e poligamia (que são assuntos que chocam algumas pessoas até hoje). Além disso, aproveita para questionar o comportamentos de algumas instituições religiosas que vão ao encontro de outros interesses, em detrimento da busca pela salvação da alma.






Uma obra que abriu as portas de um novo tempo e chacoalhou a sociedade conservadora da época. (Convenhamos, existe algo mais atrasado que uma mentalidade “conservadora”? Ser conservador é manter as coisas como estão, ficar estagnado e não evoluir!). Encare Um Estranho Numa Terra Estranha de coração aberto. Com a forma de uma sátira sociopolítica, em que são questionados valores preestabelecidos de nossa cultura - além de todo aspecto político e religioso, das relações humanas e como a sociedade se  comporta - mais do que uma simples leitura, o livro é um convite à reflexão. Mesmo que nada mude na forma de pensar ou agir, se ela simplesmente te fizer refletir sobre suas convicções e valores, já vai ter valido a pena. O mundo está precisando de pessoas que pensam de forma independente. Sempre questione, debata, reflita... mas esteja sempre pronto para ter contato com outras opiniões e encarar outros pontos de vista. Ás vezes é preciso distanciamento e tentar enxergar o lugar que você viveu a vida toda com os olhos de um alienígena. Só assim conseguiremos ver o que está escondido em plena vista. Não busque neste livro por respostas - nem conspirações para te manipular a aceitar tudo que está lá - o propósito da obra não é este. Ele somente abre novas linhas de raciocínio para te fazer pensar.



É claro que qualquer obra que incentive o indivíduo a questionar os valores que lhe são impostos goela abaixo e pensar com a própria cabeça (e não engolir opiniões prontas e já formadas) é normalmente transformada em algo subversivo e aliado a uma conduta criminosa. Como o livro foi ganhando uma relevância cada vez maior, passou a incomodar o pensamento conservador da época (que não é muito diferente do que vemos hoje em dia). Como parte do plano para desencorajar a leitura (transformando-a em algo proibitivo e quase ilegal), a obra foi associada ao crime cometido por Charles Manson, que em 1969 invadiu a mansão do diretor de cinema Roman Polanski e assassinou a atriz Sharon Tate, na época esposa do diretor, e grávida dele. O boato plantado, afirmava que o mesmo era fã da obra e, de alguma forma, foi o que o incentivou a cometer o crime. Uma acusação sem muito propósito, visto que Smith era inteiramente contra a violência. Posteriormente, o próprio Manson afirmou desconhecer a obra. Podemos perceber que a prática de espalhar notícias falsas não é exclusividade do nosso tempo. Notícias que estão a serviço da desinformação sempre foram uma forte ferramenta de manipulação. A única diferença de hoje é que fica mais fácil desinformar, pois as bolhas de controle, que são disfarçadas de redes sociais, são um solo fértil para a disseminação desse tipo de prática. Mas não é o momento para falar sobre isso... por enquanto!

Cuidado! Ele pode estar mentindo. Ou não.. ou talvez




Excluindo-se um diálogo entre dois personagens que apresentam um pensamento e forma de raciocínio completamente condenáveis e equivocados, é uma obra que vale a leitura. Em alguns momentos, senti falta de uma presença maior do Homem de Marte. Mas nada que tenha comprometido minha experiência. A versão original tinha cerca de 800 páginas e aproximadamente 220.000 palavras, mas Heinlein acabou sendo forçado a cortar aproximadamente 60.000 palavras, o que acabou não agradando muito ao autor. Após o falecimento de Heinlein, a viúva do autor conseguiu publicar o texto integral sem cortes. Será que ainda teremos esta obra completa nas mãos? Estou aguardando ansioso por esse dia.
 




sexta-feira, 25 de agosto de 2017

EU SOU A LENDA, de Richard Matheson, ou "George Romero Begins"





Por RICARDO CAVALCANTI



No último dia 16 de julho o mundo perdeu George A. Romero, um dos maiores e mais importantes nomes do cinema. O diretor que definiu a mitologia dos zumbis como conhecemos hoje, influenciou e continua influenciando cineastas mundo afora. Nesses momentos, o que mais se vê são homenagens dissecando a sua obra: sua filmografia comentada, indicações sobre “o que você precisa saber”, listas definitivas dos filmes que você não pode deixar de ver, etc. No entanto, no meio de tanta obviedade, nós do Zona Negativa resolvemos fazer uma homenagem um pouco diferente. Ao invés de comentarmos suas obras, ou falar sobra sua influência, ou indicar seus filmes, resolvemos falar do livro que foi a pedra fundamental que ajudou o diretor a desenvolver o conceito de morto-vivo apresentado em seu “Night of The Living Dead” (A Noite dos Mortos Vivos) de 1968. Se você já gostou de algum filme ou série envolvendo morto-vivo/zumbi, agradeça a estes dois homens: George A. Romero e, antes dele, Richard Matheson. 
EU sou a lenda

Richard Matheson
 

Mas quem é esse autor e que obra é essa que influenciou tanto Romero? Richard Matheson, além de muitos romances e contos, flertou bastante com o cinema e a TV. Escreveu, por exemplo, alguns episódios da série clássica Twilight Zone (Além da Imaginação) e para a série Night Galery (ambos de Rod Sterling). Algumas de suas obras se transformaram em filmes. Dentre elas, podemos destacar "A Casa da Noite Eterna", de 1973 com o nosso macaco Cesar preferido, Roddy McDowell;



Além disso, escreveu o livro sobre viagem no tempo+romance, “Bid Time Return” que foi adaptado para o cinema em 1980 com o nome “Somewere in Time” (Em Algum Lugar do Passado), protagonizado pelo Superman que vale, Christopher Reeve.  


Richard Matheson lançou em 1954 "Eu Sou A Lenda" (sim, aquele mesmo que deu origem ao filme com o Will Smith). O livro se tornou logo um grande sucesso e, além da adaptação de 2007 (que previu que o mundo com o filme Batman v Superman seria caótico e sem esperanças) recebeu outras duas adaptações. 


Seria essa a origem da praga na adaptação de 2007?



A primeira foi "Mortos Que Matam" (The Last Man on Earth) de 1964, com um dos mestres do terror, Vincent Price. O filme tentou, em muitos pontos, ser bastante fiel ao livro. No entanto, toda a essência do personagem pareceu se perder, além de a história se desenvolver de forma bastante arrastada, muito diferente do clima do livro, que em nenhum momento nos dá essa sensação. 


Em 1971 estreia “The Omega Man” (A Última Esperança da Terra). Para quem reclama que os filmes com o Will Smith acabam sempre se tornando um filme do Will Smith (sempre iguais), saiba que antes dele existia Charlton Heston. Mesmo sendo um grande canastrão que parece estar sempre interpretando mesmo papel, o presidente da NRA (Associação Nacional do Rifle), está do jeito que se sente mais a vontade: atirando para todos os lados. Em alguns momentos, parece mais como uma propaganda de armas inserida no meio do filme. Com um sorriso no rosto, mostrando que estava de certa forma, se divertindo com tudo aquilo, Charlton Heston entrega uma atuação “mais do mesmo” em um filme sem alma. Ok, admito que esse comentário pode ter uma boa dose de implicância minha. Assista e tire suas próprias conclusões.  
 



No livro "Eu Sou a Lenda", entramos na vida de um homem que se vê solitário num mundo em que todos foram contaminados por alguma praga desconhecida. Seu nome é Robert Neville. O personagem perdeu todos os seus amigos, parentes, esposa e filha e se vê no mundo em que as pessoas foram infectadas por um vírus desconhecido e estão retornando da morte, sedentos por sangue. De alguma forma que Neville não entende, ele é imune àquela "contaminação".


A princípio imagina que todos haviam sido transformados em vampiros, pois o comportamento das pessoas remete às lendas que giram em torno do morador mais conhecido da Romênia: só aparecem durante a noite, o alho os afugenta e só morrem com uma estaca de madeira enfiada no peito. Com o passar do tempo, constata que não são necessariamente vampiros, pois algumas coisas passam a não fazer muito sentido. As pessoas se movimentam de uma forma em que ficam todos vagando de maneira lenta e desordenada, buscando alimento e agindo por instinto ao sentir o cheiro de sangue; momento este em que atacam em grupos, se comportando como lobos em uma matilha. Para melhor conceituar a leitura, apesar de o comportamento dessas pessoas ser hoje facilmente identificado como sendo o de zumbis, na época esse conceito ainda não existia.



Numa narrativa que vai avançando para níveis cada vez mais claustrofóbicos, num ritmo ágil em que a sensação de perigo iminente está presente o tempo todo, Richard Matheson vai nos levando para dentro da psique do personagem, numa espiral descendente de insanidade. Recluso em sua casa a maior parte do tempo, sem ter como sair após o sol se pôr e imerso em uma vida solitária, estaria o Robert Neville ficando louco (e nos levando junto), ou o mundo todo se transformou? Vamos descobrindo e entendendo essa realidade junto com o personagem. Sua ansiedade e medo vão nos contaminando e nos jogando no centro de suas paranóias. Sua luta pela sobrevivência passa a ser a nossa luta também.


Durante a leitura, é como se o livro te pegasse pela mão, vendasse os seus olhos e te conduzisse por algum lugar desconhecido e cheio de perigos pelo caminho. Em alguns momentos, podemos sentir o desespero, angustia e pavor do personagem.
 


De todas as adaptações da obra de Richard Matheson, quem mais soube aproveitar os elementos e criar algo novo e com identidade própria, foi George A. Romero, que fincou os alicerces e abriu um novo gênero a ser explorado. Se quiser entender as origens do conceito de zumbi inserido e disseminado na cultura pop, essa é a obra seminal.



Agora tranque as portas e janelas, mantenha as luzes apagadas e tente não fazer movimentos bruscos para não ser localizado pela horda de mortos-vivos que estão te esperando do lado de fora.




segunda-feira, 24 de julho de 2017

DUNA, de Frank Herbert, ou "Viajando sem se mover"






Por EDUARDO CRUZ


"Eu não temerei.
O medo é o assassino da mente.
O medo é a morte pequena
que traz a total obliteração.
Eu enfrentarei meu medo.
Permitirei que ele passe sobre mim
e através de mim.
E quando houver passado
voltarei meu olhar interior
para ver sua trilha.
Para onde o medo se foi,
não haverá nada.
Só eu restarei."
Litania do Medo
Ordem das Bene Gesserit


Então suponha que você já leu a trilogia de O Senhor dos Anéis, os sete livros do Harry Potter, os cinco da saga do Guia do Mochileiro das Galáxias, e também seguiu nossas sugestões da Trilogia Robótica e da Saga da Fundação, ambas de Isaac Asimov. Além disso, também já passou pela trilogia Neuromancer / Count Zero / Mona Lisa Overdrive, de William Gibson, e já leu até a saga Crepúsculo (Ei amiguinhos, não estou aqui pra julgar! :>))))), e passado, depois de terminar cada um desses, por aquele período de abstinência em que a gente se sente meio viúvo(a)/órfã(o) depois que termina um tour prolongado por um universo ficcional, e agora está se perguntando com qual grande saga literária vai se comprometer a seguir. A sugestão da vez aqui na Zona Negativa é Duna, de Frank Herbert. 

Frank Herbert


Publicado em 1965, Duna é um clássico da ficção científica que retrata um futuro distante governado por um único imperador, Shaddam IV. Em uma espécie de feudalismo futurista, o imperador possui várias casas de nobres subordinadas a ele, e estas casas governam sistemas planetários. Mas apesar de sua história situada no futuro, vemos em Duna um retrofuturismo diferente, onde todos os avanços tecnológicos são biológicos/genéticos ou analógicos. Isso mesmo, não há computadores ou robôs, uma vez que em um passado distante, a humanidade padeceu à tão famosa revolução das máquinas (que se aproxima a qualquer momento!), e após este incidente, máquinas que suplantem a capacidade de raciocínio humano foram banidas. Algumas disciplinas e ordens que visam o desenvolvimento do potencial humano, como os Mentats, homens treinados para utilizar suas mentes como computadores, e as Bene Gesserit, uma ordem matriarcal que lembra um cruzamento entre cavaleiros Jedi e freiras católicas, especializadas em dons psíquicos, como detectar mentiras, influenciar vontades, dentre outras técnicas, desempenham um papel importante nesta estrutura política sem computadores e inteligências artificiais. 



Neste universo sem máquinas capazes de realizar cálculos complexos, como é possível navegar por entre as estrelas? Graças à especiaria, também conhecida como Melange. Este é o grande trunfo do império, e a base de toda a economia neste universo se deve à extração/refinamento/comércio da especiaria. O Melange concede benefícios fabulosos a quem o consome: amplia a percepção, prolonga a vida, permite a seu usuário visualizar o futuro imediato, possibilita certo grau de telepatia, possibilita viagens espaciais sem o auxílio de computadores de navegação, entre muitos outros benefícios. O único porém é que esta substância - da qual muito pouco se conhece a respeito da real procedência - existe em um único planeta do universo: o desértico Arrakis, também conhecido como Duna. O planeta sofre com a escassez extrema de água, além de ser infestado de gigantescos vermes do deserto que atacam qualquer coisa que produza vibrações no solo. Devido a estas condições o Melange é muito raro e muito caro. Logo, quem controla Arrakis, controla o Melange. E quem controla o Melange, controla o universo!




Descortinado esse cenário, acompanhamos Paul, o jovem herdeiro da casa dos Atreides. Seu pai, O Duque Leto Atreides é ordenado pelo imperador a abandonar seu planeta natal, Caladan, e se mudar para Duna. A partir desse momento a casa Atreides é a responsável pela extração de especiaria no planeta, anteriormente administrado pelos Harkonnen, casa rival dos Atreides. Obviamente a transição de poder dá errado, e após eventos catastróficos, Paul e sua mãe, Lady Jessica - consorte do Duque Leto e que também é uma sacerdotisa Bene Gesserit - são obrigados a fugir para o deserto. Lá, Paul e Lady Jessica são acolhidos pelos Fremen, o povo nativo de Arrakis, arredios e desconfiados, um povo com uma cultura erigida em torno de um conceito: a escassez de água. Os Fremen desenvolveram toda a sua tecnologia com o intuito de extrair água de fontes aparentemente impossíveis, como os dejetos de seus próprios corpos, o orvalho da madrugada e até de seus mortos! Para eles, a água é ainda mais valiosa do que a especiaria. E é entre os Fremen que Paul amadurece, desenvolve seus dons através do uso do Melange e trama sua vingança contra os Harkonnen, e por extensão, contra todo o império...


O trajestilador, a vestimenta que recicla a água do próprio corpo 

Fremen, o povo casca grossa do planeta deserto.

Design de conceito dos personagens, de um dos vários projetos de adaptação que não saíram do papel.

Agora, junte todos esses elementos políticos, sociais, culturais, filosóficos e religiosos dentro desse barril de pólvora que é o planeta Arrakis, adicione todas essas variáveis causadoras de tensão, como as maquinações escusas do imperador, a guerra pelo controle do Melange, as conspirações vindas de todos os lados e já dá pra começar a calcular a proporção da trama. Tão eletrizante quanto Fundação no que tange às relações políticas, mas as comparações terminam por aí. Universos diferentes, mas a mesma natureza humana, fazendo cagadas universo afora.



A editora Aleph, uma das mais proeminentes no nicho de ficção científica por aqui lançou anteriormente três dos seis livros da saga de Herbert, todos em brochura. Entretanto esse ano decidiram republicar novamente a partir do primeiro livro em uma edição ainda mais bonita do que a anterior, que conta ainda com uma pequena introdução escrita por Neil Gaiman, em capa dura. Uma segunda chance pra quem perdeu a tiragem anterior, como o meu caso rs. Até o momento desse post já se encontram disponíveis nas livrarias Duna e Messias de Duna nesta nova padronização.


A imponente nova edição de Duna, da editora Aleph!

:)))


Nos anos 70, o produtor Michel Seydoux adquiriu os direitos de adaptação de Duna e prontamente tratou de colocar o projeto nas mãos do diretor chileno Alejandro Jodorowsky, pai dos midnight movies, conhecido por El Topo, The Holy Mountain, Fando y Lis, Santa Sangre.... Jodo logo pirou forte, como é de seu costume, e torrou boa parte do orçamento com drogas contratando artistas para tranpôr os conceitos grandiosos do livro para o filme, gente do calibre de H. R. Giger, Chris Foss e Moebius, entre outros monstros. 


Pôster do melhor filme que jamais existiu...

Jodorowsky concebeu seu Duna como um filme de 14 horas de duração, que teria trilha sonora composta por Tangerine Dream, Pink Floyd, Magma e outros músicos conceituados. O elenco também era fabuloso: nomes como Orson Welles, Udo Kier, David Carradine, Mick Jagger, Salvador Dali - no papel de Imperador do universo, e que exigiu um cachê de US$100.000,00 por minuto de aparição em tela!!! - e o próprio filho do Jodo, Brontis Jodorowsky no papel de Paul Atreides, foram escalados para o filme, que nunca chegou a sair do papel porque acabou la plata. O filme era, nas palavras do próprio Jodorowsky, uma livre adaptação da história de Herbert, uma vez que ele não havia lido o livro na época, e possivelmente nestes moldes seria tão bem sucedido quanto as adaptações posteriores, com uma proposta assim tão diferente do cinema comercial a que o grande público foi aculturado, ou sejE: existindo ou não, o Duna do Jodorowsky provavelmente também iria afundar. 

 Trailer de Jodorowsky's Dune, excelente documentário 
que relata a empreitada malfadada do diretor em tentar adaptar Duna.

Pelo menos a experiência serviu pra inspirar Jodorowsky a criar uma das maiores histórias em quadrinhos já produzida, ao lado do artista Juan Gimenez: A Saga dos Metabarões (completa aqui), mas isso é assunto pra outro post...


Meu primeiro contato com Duna foi ainda garoto: não sei ao certo quantas vezes assisti àquele filme dirigido por David Lynch, ou melhor, Alan Smithee, pseudônimo usado por diretores em Hollywood que preferem permanecer incógnitos, evitando que sua filmografia seja associada a certos trabalhos. Apesar do orçamento gigantesco e do elenco cheio de nomes respeitabilíssimos como Max Von Sydow, Patrick Stewart, Jurgen Prochnow e até o John Constantine Sting, o filme afundou nas bilheterias e foi massacrado pela crítica.  Não considero esta adaptação tão terrível quanto Lynch e o resto do mundo; na pior das hipóteses o filme serviu para que minha leitura do livro não fosse tão confusa, uma vez que eu já  estava familiarizado com todos aqueles conceitos há anos, gastando a fita VHS da locadora aqui do bairro. Claro que a adaptação deixa a desejar, cheia de momentos confusos e mal estruturada, além de vários efeitos especiais que podem ser considerados vagabundos, dado o orçamento do filme, entre outros defeitos, mas tenho um certo apreço sentimental por essa adaptação mesmo assim hehehe.


Trailer de Duna

Filme completo, em inglês e sem legendas.
Não esperem por um Twin Peaks aqui hehehe 
Pôster promocional do filme

Em 2000, mais uma adaptação, dessa vez pelo canal Sci-Fi. Essa adaptação foi produzida em forma de mini série em três partes, que engloba os acontecimentos do primeiro livro. Se é boa? sinceramente, nunca terminei de assistir, mas é a mais elogiada das adaptações pelas internetes afora. Vou deixar o link da mini série completa aí embaixo, se vocês tiverem coragem e cinco horas pra gastar.

 Mini série completa e legendada.

Por fim, notícias recentes já apontam o diretor Denis Villeneuve, diretor de A Chegada e o vindouro (e desnecessário?) Blade Runner 2049 como o diretor de uma nova tentativa de adaptação do livro de Herbert. Vamos ver no que vai dar dessa vez...


Arte conceitual de Chris Foss para a adaptação de Jodorowsky, nunca realizada.

Apesar das grandes diferenças entre as tramas, uma coisa que Duna tem em comum com a saga Fundação é a capacidade de penetrar tão profundamente na cultura pop, a ponto de vermos sua influência onde menos se espera, como por exemplo, no terceiro disco do grupo Jamiroquai, que faz uma referência à viagem interestelar utilizando o Melange, na faixa título Travelling Without Moving. 




Ou ainda: As bandas Harkonnen... 



... e Vladimir Harkonnen! 



Eu pediria pra não confundirem as duas aqui, mas eles não facilitaram, né? 
Eu pessoalmente, prefiro a Harkonnen já faz uns anos...


Se eu preciso explicar a referência aqui? Não, né!


Os vermes de areia da cultura pop que você conhece e respeita...

Duna também foi adaptado oficialmente em pelo menos cinco ocasiões para videogame (sem contar as modificações feitas por fãs!), dentre elas destaco Dune - The Battle for Arrakis. Passei horas e horas em meu emulador de Mega Drive tentando manter minha refinaria de Melange longe das mãos gananciosas daqueles malditos Harkonnens!! Nesse link dá pra jogar online, se vocês ficaram  curiosos com o potencial viciante desse jogo de estratégia. Apesar dos gráficos precários (o jogo é de 1992!), a ação e dificuldade de Dune - The Battle for Arrakis cativam o jogador até o final! Isto é, caso vocês consigam terminar hehehe.


Um pequeno gameplay de Dune - The Battle for Arrakis

Também dá pra se aventurar a jogar no universo de Duna em forma de card games e board games, qualquer que seja a sua praia, estando com o inglês em dia e algum $$$ para garimpar no ebay. Nos anos 90 a produtora Last Unicorn Games desenvolveu um RPG baseado no universo de Duna, mas por uma questão legal relacionada a licenciamento, o jogo teve uma única tiragem e nunca mais foi relançado, e hoje alcança preços absurdos no ebay. Mais detalhes sobre essa treta aqui.

O raro (e caro!) RPG de Duna jamais relançado...

Duna é uma rara mescla perfeita entre ficção científica e fantasia, uma obra que flerta de forma primorosa com a filosofia, política, religião e ecologia sem se tornar maçante em momento algum. Uma iguaria única que eu recomendo com força e sem medo! E se ainda assim bater um receio quanto a se vale a pena ou não se perder nas quase 700 páginas do primeiro volume dessa saga incrível, volte até o topo desse texto e recitemos juntos a litania contra o medo. Agora siga em frente e não adie mais sua viagem a Arrakis, mas cuidado onde pisa, ou os vermes da areia vão te engolir! 
Eu volto na resenha da sequência, Messias de Duna. Até lá!




quarta-feira, 19 de abril de 2017

AS CAVERNAS DE AÇO, de Isaac Asimov, ou "O Blade Runner do Bom Doutor"



Por RICARDO CAVALCANTI


Isaac Asimov é um dos grandes nomes da ficção científica clássica, ao lado de Arthur C. Clarke, e isso não tem como negar. Suas obras popularizaram o gênero, angariando milhões de fãs ao redor do mundo. Dono das costeletas mais famosas da ficção científica, Asimov é russo de nascença, mas migrou com sua família aos três anos de idade para os Estados Unidos, se naturalizando por lá (Em 1981, um cometa foi batizado com seu nome). Mestre e doutor em bioquímica, possui mais de 500 obras publicadas, entre história, matemática, ficção científica, fantasia, astronomia, biologia e química. Neste mês de abril, completam-se vinte e cinco anos de seu falecimento. Por conta disso, nós do Zona Negativa, resolvemos prestar uma homenagem, trazendo algumas obras deste autor que é tão importante para a FC. Iniciamos o mês com o excelente conto “A Última Pergunta” e agora damos sequência trazendo uma obra que trata de um assunto que o autor adora: robôs! As Cavernas de Aço, que é o primeiro livro da chamada “Série dos Robôs!”. Fazem parte ainda da série: “O Sol Desvelado”, “Robôs da Alvorada” e “Robôs e o Império”. De todos, somente o último ainda não foi relançado pela Editora Aleph. Mas ao que tudo indica, deve sair agora no segundo semestre de 2017. A última edição havia saído em 1985 pela editora Record.




As três leis da robótica são:



1ª Lei: - Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano seja ferido.



2ª Lei: – Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei.



3ª Lei – Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda lei.



Asimov usou e abusou das três leis da robótica que ele mesmo criou. Apesar de ter utilizado tais leis em alguns contos, acabou tomando uma maior dimensão a partir do momento que os juntou, transformando em um livro: “Eu, Robô”. Depois disso, a cada conto, a cada livro, a cada história, parecia que ele estava tentando testar os limites de tais leis. Depois de algum tempo, ainda resolveu incluir mais uma lei, que viria antes das anteriores. A chamada “Lei Zero”:
 

Um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal.”



As três leis ainda foram utilizadas na “adaptação” para o cinema de “Eu, Robô”, com Will Smith. Provavelmente, a única coisa da obra de Asimov que está no filme. De resto, não tem mais nada. As leis estão também presentes no conto O Homem Bicentenário (The Bicentennial Man), que virou filme em 2000 com Robin Williams. Mas não estamos aqui para falar de adaptações para o cinema. Vamos ao que interessa!


Para situar do que se trata “As Cavernas de Aço”, imagine uma história em que dois policiais se vêem obrigados a trabalhar em parceria e que um deles já demonstra insatisfação, mesmo antes de conhecê-lo. Eu sei, eu sei que você já viu isso em Máquina Mortífera, Bad Boys, Tango e Cash, O Último Boy Scout e até em O Último Grande Herói, que utilizam essa mesma premissa (Tudo bem que nesse último o parceiro é uma criança. Mas acho que já deu para entender). A gente já imagina logo o que vai acontecer: os dois se odeiam, mas aprendem a trabalhar juntos, fazendo uma dupla imbatível e resolvem não se separar mais. Já vimos essa dinâmica milhares de vezes e nada poderia nos deixar mais entediados com tanta obviedade. Mas agora imagine que essa história sendo contada a partir da mente de Isaac Asimov. Adicione o fato de que um desses investigadores é um robô e o outro é uma pessoa que odeia os robôs. Acrescente como pano de fundo uma população com um enraizado preconceito contra os robôs por, entre outras coisas, estarem tomando o emprego dos humanos. Além disso, temos uma elite que não quer nem um pouco se misturar com os terráqueos, insatisfeita com os rumos tomados pela Terra, estando disposta a cortar laços, se necessário for. Pronto! Temos os ingredientes iniciais para mais uma grande obra do Bom Doutor.



Estamos no futuro e a Terra sofre com a superpopulação. Quase toda a vida natural foi extinta e cães e gatos só são vistos em zoológicos. Os habitantes vivem em grandes aglomerados em que mal vêem a luz do sol; sofrem com a escassez e o racionamento de alimentos; fazem suas refeições em grandes salões coletivos (uma espécie de bandejão) recebendo somente o suficiente para a própria sobrevivência. Todos vivem com o sonho de um dia poder subir um pouco na escala social e ter algumas regalias e privilégios do tipo: “poder fazer suas refeições em sua própria residência três vezes na semana”. Os robôs são responsáveis por grande parte da mão de obra na Terra, fazendo com que os humanos sejam cada vez mais substituídos por máquinas. Cidades inteiras que são, nada além de enormes bolhas populacionais ou, simplesmente, cavernas de aço. Essas cidades lembram muito a Mega City One dos quadrinhos do Juiz Dredd ou mesmo do filme (estou falando o de 2012 e não aquilo que o Stallone cometeu em 1995).


Enquanto isso, os Mundos Siderais, ex-colônias da Terra que deixaram muito tempo de se sujeitar a seus antigos colonizadores, não estão nem um pouco satisfeitos com os rumos tomados pelos terráqueos. Essas colônias alcançaram a plena independência e se tornaram muito mais avançadas cultural e tecnologicamente; livres de doenças e com baixa densidade populacional. O uso de robôs para o trabalho é visto de forma positiva pelos siderais. Para manter seu modo de vida, são impostas grandes restrições a entrada de humanos nesses mundos. Essas restrições contribuem muito para o aumento do nível de rejeição por parte da população terrestre, causando um clima de tensão constante.



O principal personagem é Elijah Baley, um competente e dedicado investigador de polícia da cidade de Nova York, que recebe a incumbência de investigar o assassinato de um embaixador dos Mundos Siderais. Baley possui suas convicções e, como todo morador das grandes cidades da Terra, não gosta de robôs. Os Siderais exigem que o assassino seja encontrado e para auxiliar e acompanhar a investigação, enviam um robô chamado R. Daneel Olivaw (Um andróide, na verdade. Praticamente um replicante modelo Nexus 6. Mas vamos chamar de robô para deixar o Asimov feliz). Apesar de suas convicções, o detetive se mostra incapaz de não cumprir um dever profissional. Os Siderais, por serem culturalmente incapazes de cometer qualquer ato de violência, acreditam que o culpado só poderia ser um terráqueo. Diante de uma realidade em que os nervos estão constantemente à flor da pele, qualquer pessoa se torna um potencial suspeito. O que seu superior mais quer é que Baley resolva logo o caso, não deixando que o robô desvende o crime antes dele.




Para escrever As Cavernas de Aço, Asimov aceitou uma espécie de desafio proposto durante um brainstorm com seu editor. Como era de se esperar, pouco se explora sobre a discussão mais aprofundada dos problemas na sociedade causados pela convivência com os robôs em nosso mundo e a substituição da mão de obra humana pelas dos autômatos (Assunto, aliás, que poderia dar uma discussão bastante interessante. Para se ter uma ideia de como teria terreno para explorar, se fizermos um paralelo com outras obras de ficção científica mais recente como o filme Distrito 9, ou até mesmo no Robocop do José Padilha, vemos que a discussão pode se tornar bastante ampla. Tudo bem, você pode não ter gostado do filme do Padilha e que o que vale mesmo é o do Paul Verhoeven, mas não se pode negar que as discussões sobre o uso de robôs eram muito interessantes; sem contar que mostrava de forma direta como o uso da “informação” pode ser utilizado para a manipulação da opinião pública. Para mim, o filme já valeu por conta disso) Apesar de tais discussões não estarem presentes no livro, não diminui nem um pouco a sua importância. 

 

O livro é uma ótima história policial, que se passa em um mundo pessimista e desprovido de esperança, que poderia tranquilamente estar situado na caótica realidade do mundo criado por Philip K. Dick em “Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, ou sua versão cinematográfica: “Blade Runner: O Caçador de Andróides” de Ridley Scott. Asimov pega um tema que já foi explorado à exaustão e nos presenteia com uma nova visão, nos guiando por caminhos inesperados, nos encantando com a sua capacidade de nos surpreender.



Nessa história, são apresentados pela primeira vez os personagens Elijah Baley e R. Daneel Olivaw, que ainda seriam utilizados mais vezes pelo autor. Ambos aparecem nas sequências da Série de Robôs. Além disso, R. Daneel tem uma grande importância na mega-saga Fundação. Mas vamos deixar para falar de Fundação em outro post. A história de As Cavernas de Aço teve uma adaptação para a TV inglesa em 1964 no programa BBC2 da série Story Parade. Nada mais, nada menos que um dos mestres do Terror, Peter Cushing (o de verdade, não o digital que você viu em "Rogue One") fazia o papel do detetive Elijah Baley. 
 



Muitas pessoas que não tiveram contato com a obra de Asimov e não sabem ainda por onde começar, podem considerar esta como uma boa porta de entrada para conhecer o autor. O gênero “ficção científica policial” dá muito certo em “As Cavernas de Aço”. Mistérios, conspirações e segredos permeiam a história de forma a te prender, desejando saber o que acontece na próxima página. Mais uma boa história do Bom Doutor que parecia uma máquina na hora de escrever. Seria ele também um robô? Nunca saberemos.