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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

ATENÇÃO: Você está entrando no território dos Warriors, de Coney Island! Prossiga por sua conta e risco!

Por Ricardo Cavalcanti









Este filme de 1979 de Walter Hill (que também nos trouxe em 1982 o filme 48 Horas, com a estréia de Eddie Murphy no cinema e Ruas de Fogo em 1984, com Willem Dafoe), acabou virando um sucesso cult e foi ganhando cada vez mais fãs ao longo dos anos.



Numa época muito antes de Netflix, PirateBay, YouTube... Não, espera... Muito antes da popularização do VHS, fomos apresentados ao filme The Warriors, ou Selvagens da Noite, se preferir. Filme este que foi responsável por fazer uma molecada ficar acordada até tarde (sem que os pais soubessem, claro) para acompanhar a saga de um grupo de Coney Island (os Guerreiros), lutando por suas vidas, acusados injustamente pela morte do lider da gangue dos Riffs, Cyrus.




Os Riffs, além de possuírem um verdadeiro exército são os mais organizados, contando com uma eficiente rede de informações, que inclui a DJ de uma rádio que monitora a movimentação dos nossos Guerreiros. Por falar nisso, lembrei de uma coisa: (Costinha mode ON) Esse recurso, de utilizar um DJ “acompanhando” um personagem, foi utilizado antes, no filme Vanishing Point, de 1971, que foi chamado em Terras Tupiniquins de “Corrida Contra o Destino” (que acabou virado base para o videoclipe “Show Me How To Live” do Audioslave). Mas deixa eu voltar ao assunto antes que me perca (Costinha mode OFF). Voltando a falar dos Riffs: eles são, claramente, uma referência aos Panteras Negras (Não, amiguinhos. Não estou falando do personagem da Marvel), que nos anos 60, era o principal grupo de luta pelos direitos da população negra. Com seus membros armados e uma organização quase militar, chegaram a ser considerados pelo FBI a principal ameaça à segurança interna dos Estados Unidos.



Voltando ao filme: Cyrus propõe uma trégua e reúne 9 membros das principais gangues de Nova Iorque. Com seu discurso quase messiânico, conclama a união de todas as gangues, pois assim, dominariam não só o crime organizado, mas também toda a polícia. No auge do seu discurso, Luther – líder dos Rogues – atira em Cyrus, no momento em que a polícia chega ao local (Coincidência? Furo no roteiro? Nada disso! Leia a Teoria Warriors, do nosso amigo Eduardo Cruz e você entenderá). Uma confusão generalizada toma conta do local e Luther acusa os Guerreiros pela morte de Cyrus. “Olha ele ali! É o Guerreiro. Ele atirou em Cyrus!”. A partir desse momento, começam os problemas para o grupo de Coney Island.

Assim como todas as gangues da cidade, os Rogues também resolvem perseguir os Guerreiros para que ninguém descubra quem foi o real responsável pelo atentado. A cada esquina, um novo perigo. Uma nova gangue para enfrentar (exceto os Orfãos. Eles não oferecem perigo algum...rs).


Os órfãos, uma turma da pesada.... só que não.

Numa jornada pela sobrevivência a caminho de casa, vamos sendo apresentados aos personagens que nos fascinavam (e ainda fascinam). Como não amar odiar o Ajax, com seu jeito explosivo e rebelde? Como não ficar fascinado com o carismatico Cyrus? Como não acreditar que, SIM, o Cisne era agora o verdadeiro lider dos Guerreiros? Como não ficar ansioso para ver como eles iriam enfrentar os Baseball Furies correndo pelo parque, ou os Punks no banheiro do metrô (para mim, a melhor luta do filme) e ainda conseguir fugir da fúria dos Riffs?






Nem todos os Guerreiros chegam ao seu destino. Algumas baixas ocorrem no caminho. Mas Nada disso é spoiler. É somente o plot do filme. Mesmo que considere spoiler, não vai estragar a sua experiência em assistir o filme. Afinal de contas, já assisti tantas vezes e ainda me empolgo e me divirto.

Ok.... Toma um spoiler então: Ajax vai preso!



A editora Dynamite lançou em 2009, uma HQ que é uma continuação direta do filme. Com a presença de algumas gangues conhecidas do filme, além de outros membros que haviam ficado em Coney Island, “The Warriors, Jailbreak” é dividida em quatro edições, em que os Guerreiros vão se organizar para tirar Ajax da prisão. “Ajax é um de nós. Nós somos tudo que temos”. Afinal de contas, como Cisne aprendeu com Cleon: “Nós nunca deixamos outro Guerreiro para trás”.


The Warriors - Jailbreak, pela Dynamite Comics

Vale a pena ler e revisitar os personagens que assistimos por tantas vezes. É fácil de encontrar para baixar, digo, comprar.

Por mais que você já conhecesse bem a história e os personagens, esse é um daqueles filmes que sempre nos deixava com um gostinho de “quero mais”. Até que, em 2005, a Rockstar lança o game The Warriors para o Playstaion 2.






Sim!! Estava acontecendo!! Você finalmente podia se tornar um Guerreiro e explorar mais daquele mundo. Quando vemos a roda gigante de Coney Island, já sentimos logo: opa!! Isso está legal! Mas quando entra a abertura do jogo tocando a música tema, somos imediatamente catapultados diretamente para o meio daquele universo.

Entre pixações, roubo de toca-fitas, uso de drogas e brigas com outras gangues e a polícia, você vai avançando e ganhando respeito no grupo. O trabalho cuidadoso de ambientação da produtora do game, nos proporcionou uma imersão completa na vida de um Guerreiro.


Desperte o guerreiro em você!

Nos lembrando em muito o estilo GTA, o game vai nos apresentando fatos que antecedem o filme, indo até o enredo original. Esse é um jogo que ainda hoje me diverte bastante, me prendendo por horas e horas.

Ainda assim, a experiência não estava completa.

Na abertura do filme víamos nos créditos iniciais “Based on The Novel by Sol Yurick”. Ou seja, ainda tinha uma peça faltando. Era um livro que nunca havia saído no Brasil e as esperanças de te-lo nas mãos era zero. Se não saiu antes, porque alguém resolveria lançar agora?

Mas surpreendentemente, a Darkside Books nos presenteia com essa pérola esquecida no tempo.





Com uma belíssima edição e com uma capa que lembra o couro dos coletes dos personagens do filme, o livro traz ainda, um prefácio de 36 páginas escrito pelo autor.

O autor, Sol Yurick, trabalhou no Departamento de Bem Estar Social de Nova Iorque e teve contato com uma realidade que não lhe era familiar. Pessoas que viviam na extrema pobreza e que viviam excluídos e marginalizados pela sociedade. Algumas das crianças dessas famílias eram delinquentes e pertenciam a gangues de brigas, em uma quantidade tão grande, que se assemelhavam a verdadeiros exércitos. Com essa realidade na cabeça, surgiu em sua mente a ideia de escrever sobre o assunto.

Apesar de serem personagens de de ficção, não podemos negar que trata de uma realidade muito mais próxima que gostaríamos. A projeção de uma vida sem futuro, acaba com qualquer tipo de “humanidade” em uma pessoa; levando-a, muitas vezes, a encontrarem na violência uma forma de revidar tudo que sofrem, alimentando ainda mais o ódio da sociedade e entrando num círculo vicioso de violência infinita.

Mesmo os nomes dos personagens e do grupo sendo diferentes, conseguimos identificar cada um através de suas personalidades. O livro se passa, principalmente, entre a noite do feriado de 4 de julho e a madrugada do dia seguinte.

Ismael queria que todas as gangues se unissem e mostrassem sua força. Afinal de contas, unidos, eles eram cerca de cem mil, enquanto que na cidade, só haviam vinte mil policiais. Se eles permanecessem desunidos, lutando uns contra os outros, isso ajudaria o sistema. Sendo uma coisa só, eles poderiam dominar tudo e cobrar impostos da cidade e do crime organizado.“Quem liga para nós?” “Os inimigos são os adultos, que nos humilham” - Ismael possuía um ressentimento abaixo da superfície e conseguia manter seus “soldados” sempre carregados de ódio.

Depois de um discurso que motivou a todos, um grande mal entendido ocorreu no meio da multidão, causando brigas e um caos generalizado. Descobrimos então, que nem todos cumpriram a promessa de comparecer sem armas. Ouve-se um tiro e Ismael é atingido. A partir desse momento, acompanhamos a luta dos Dominadores para chegar em casa, em Coney Island.

Por favor, não faça isso no seu exemplar!

Enquanto o filme traz um aspecto quase romântico para a existência das gangues, no livro vemos essa realidade muito mais crua e cruel. Os membros de gangues não são homens adultos. Elas são formadas por adolescentes e pré-adolescentes, tentando mostrar força dentro do grupo, ganhando respeito e provando que não eram mais crianças. Parecia que a qualquer momento apareceria alguém falando como o Dadinho em Cidade de Deus: “Criança? Eu fumo, eu cheiro, já matei e já roubei. Sou sujeito homem!” A violência é algo catártico para eles. Não importando o tipo de violência, nem contra quem é cometida; nos lembrando, por muitas vezes, Alex DeLarge e seus druguis, em Laranja Mecânica.




Sem me aprofundar nos acontecimentos do livro, posso garantir que você pode mergulhar de cabeça na história. Você será envolvido pelo livro e terá sentimentos antagônicos em relação a alguns personagens e suas atitudes. Sem dúvida, uma leitura que vale muito a pena. Principalmente por ser a última peça que faltava no “universo” The Warriors, pelo menos aqui no Brasil.

Obs.: Hollywood já sinalizou algumas vezes que pretende fazer um remake do filme. Obrigado, mas não quero! Definitivamente, vai ser um filme que eu não vou querer ver. Prefiro ficar com o trailer feito por fãs:




Se você não assistiu o filme, não jogou o jogo, não leu o livro e não sabe por onde começar, pode fechar os olhos e escolher qualquer um sem medo. Você estará certamente muito bem acompanhado. Afinal de contas, os Guerreiros não são só bons, ou muito bons... eles são os melhores!

Então, vista seu colete de couro, coloque "Nowhere To Run" bem alto na vitrola e tente chegar à salvo em casa.



COME OUT TO PLAY!!!





quarta-feira, 31 de agosto de 2016

...Interrompemos nossa programação normal para uma teoria sobre os Warriors...



 Por EDUARDO CRUZ


 
Os amiguinhos das antigas vão se lembrar do filme a que me refiro, um sucesso dos fins de noite no domingo maior, quando ainda éramos moleques e já tinha passado da hora de dormir, mas nossa teimosia em permanecer acordado nos brindou com essa pérola. A influência desse filme ainda é percebida até hoje pelos mais novos em algumas produções e The Warriors, conhecido aqui como "Selvagens da noite"  acabou virando um filme cult, mesmo que as pessoas insistam em só lembrar de “Laranja Mecânica” como maior expoente do gênero....




O filme, objeto de culto, é sobre um grande encontro de gangues que dá errado, com a culpa recaindo sobre um pequeno grupo, a gangue dos Guerreiros, oriundo de Coney Island, e todo o perrengue que esse grupo de coitados tem que passar para atravessar a cidade e voltar para casa inteiros, com todas as gangues de NY atrás deles. Um filme de Walter Hill, baseado no livro do escritor Sol Yurick, que por sua vez se inspirou no texto “Anábase”, do historiador grego Xenofonte.

Mas não vou usar esse espaço para escrever um texto a respeito do filme ou do livro dos Warriors. Nosso outro zelador da Zona Negativa, Ricardo C., já fez isso neste texto, ameaçando com garrafadas e correntes qualquer infeliz que ousasse fazer isso antes dele aqui na redação da Zona. Não quero esgotar o assunto, e sim apontar uma direção, que apesar de subjetiva e meramente especulativa de minha parte, foi bem divertido de imaginar e rendeu boas discussões entre nós aqui da Zona.


 Após tantos anos assistindo “The Warriors” sucessivamente (esse é um daqueles filmes que não consigo ficar sem assistir pelo menos duas vezes por ano, tão divertido e bem executado que ele é), seria de se esperar que um filme de 1979, revisto tantas vezes não guardasse mais nenhuma surpresa, nem desse margem a mais nenhuma interpretação que já não tenha sido feita antes nos últimos 37 anos. Contudo, porém, todavia e entretanto, às vezes a mente trabalha sozinha, involuntária aos nossos atos conscientes, sem nunca parar, concatenando fatos, trívias, pequenos fragmentos de informações, cozinhando um caldo que às vezes transborda e nos obriga a derramá-lo sobre os outros heheheh.....

Minha extrapolação, a teoria que tem pulado feito uma pulga dentro da minha cachola após assistir ao filme pela 16.539ª vez é a seguinte:  Luther, o membro da gangue dos Rogues que atirou no Cyrus pelo motivo mais gratuito possível, e responsável direto pela tempestade de merda que os Warriors tiveram que enfrentar durante toda uma noite, trabalharia para o governo do EUA! da CIA ou NSA, ou qualquer outra agência governamental maligna que vocês queiram ou possam imaginar heheh...

 


Observemos o contexto histórico de “The Warriors”: os movimentos pelos direitos civis, a ascensão do movimento de contracultura, a ressaca pós Vietnã e o escândalo do caso Watergate. É notório que na vida real o governo norte americano infiltrou agentes em várias movimentos e grupos da sociedade estadunindense, como no partido dos panteras negras, por exemplo, a fim de detectar e se necessário, abafar possíveis insurreições e revoltas sociais dentro de seu próprio território. Enfim, a boa e velha paranóia do complexo industrial militar, utilizando o dinheiro dos impostos dos cidadãos como melhor lhes convém para a manutenção do status quo....




Logo, através de um trabalho de inteligência, a agência que estaria cuidando disso, fosse qual fosse, ficaria ciente de uma mega reunião de gangues no Bronx, arquitetada pelo líder de uma delas, um líder extremamente carismático, e portanto perigoso para o sistema, visto que até ali ele havia sido bem sucedido em convocar e reunir em um mesmo local diversas gangues, algumas com sérias rivalidades geradas e nutridas ao longo dos anos entre si, com uma proposta de unificação absoluta. A polícia não teria chance, o crime organizado não teria chance, e em última instância o governo não teria chance, caso a idéia de Cyrus se propagasse pela América afora.  

Esta mesma agência governamental teria acionado seu contato local, Luther, que tem sua "Gangue" (na verdade, um bando de perdidos apatetados que foram cooptados para acreditar que são integrantes de uma gangue verdadeira?), os Rogues.  Atentos a este possível levante contra o sistema, por parte do tal Cyrus, enviam seu agente para “tratar a ocorrência”, no melhor estilo Kennedy. Temerosos com esse incipiente golpe de estado, concluíram que um assassinato resolveria tudo. Afinal, depois que você faz isso até com um presidente, o resto é fácil. Em seguida, bastava incluir um bode expiatório (os desafortunados Guerreiros) na equação, e justificar pra sua gangue de doidões que estariam fazendo isso pra ver o circo pegar fogo, porque, como ele mesmo diz: "I like doin’ stuff like that! (Eu gosto de fazer coisas assim!)". Semelhante a um assassinato político para desestabilizar uma republiqueta de bananas, mas em nível doméstico e urbano. O modus operandi da CIA, disfarçado como “mais uma ocorrência policial em NY”.

“Warriors, come out and play with uncle Sam!”

 Para reforçar a tese, revendo a cena em que Luther liga pra alguém e fala um tanto irônico sobre o "acidente" no Bronx com Cyrus, podemos enxergar esta cena como uma conversa encriptada: na realidade ali Luther estaria se reportando a seus superiores em Langley (CIA) ou em até mesmo em Washington (NSA), no melhor estilo de filmes de espião, através de frases-código e palavras chave, informando que cumpriu sua missão a contento.

Arô! É da puliça?

Infiltrar agentes dos poderes em exercício entre revoltosos é uma estratégia comum para minar manifestações populares, como pudemos ver nas manifestações populares de 2013 (aquelas em que o gigante acordou, levantou, foi dar uma mijada e dormiu de novo), onde (alegadamente) infiltrados descoordenaram qualquer ação de protesto e inclusive as invalidaram, utilizando de violência, minando o levante popular. Esse método truculento também é visto no especial “Democracia”, da Juiz Dredd Megazine, lançado em 2014. O bom e velho “Dividir e conquistar”. Nunca falha.

Para mim, faz todo sentido e leva a história em uma direção diferente sem perder nada do que foi mostrado no enredo, nem entrar em conflito. Foi o que eu, (e outros para quem expus esse delírio) achei mais interessante.

Ô LOCO!! É ESSA FERA AÍ, BICHO!!!
 Talvez minha imaginação tenha se excedido dessa forma justamente por ter certas partes da trama tão em aberto, que acabei preenchendo-as assim "na minha cronologia pessoal" rs ;>). Sempre me incomodou um pouco o fato de Luther executar Cyrus apenas porque sim. O que os rogues ganhariam com isso? Ah, então ele é psicopata? Acho isso meio batido. Fico mais contente com essa tese que brotou para enriquecer uma trama que por si só já é excelente. Me deixem com meus delírios hehehe.

Eu sei, eu sei, é uma teoria meio Fox Mulder, em que os verdadeiros vilões são sempre eles: O sistemão, the  Man, us hômi! Mas se for parar pra analisar que desde sua criação, agências governamentais como CIA e a NSA (e outras mundo afora, mas aqui estamos em NY!) foram responsáveis por planos até mais esdrúxulos do que minha teoria, vide as tentativas de assassinato de Fidel Castro que beiram o cômico. Assim fica fácil usar a suspensão de descrença, e o mais bacana: com base em eventos que ocorreram de fato no mundo real, para apreciar mais uma camada oculta em um filme que já é excelente por si só.

Queria dividir essa teoria aqui na Zona.

Reflitam. Comentem, expandam, me mostrem os furos no raciocínio, me xinguem, me paguem um chope pra gente conversar mais um pouco a respeito. Como eu disse, é apenas uma teoria minha. Não existe nada oficial nesse sentido sequer implícito na história original, é apenas um delírio alimentado pelo plot básico do filme, confrontado com o contexto da época.

“Vocês... SACARAM???”