segunda-feira, 14 de maio de 2018

BLACK HAMMER: ORIGENS SECRETAS, de Jeff Lemire e Dean Ormston, ou "O estranho e fantástico filhote de um cruzamento entre Astro City e Umbrella Academy..."






Por EDUARDO CRUZ




Cara, eu odeio os nostálgicos sentimentais. As pessoas que reclamam que não existem HQs hoje em dia que sejam boas como as de 30 anos atrás, se lastimando que os roteiristas realmente bons não existem mais, que "Hoje é tudo uma merda". Geralmente são os mesmos que repetem, como um disco quebrado, que do final dos anos 80 pra cá quase nada relevante aconteceu na música, que "Hoje é tudo uma merda", vivendo nesse loop de negatividade, enxergando o copo meio vazio, e a parte meio cheia com água de esgoto. Mas o que anda em falta mesmo, tanto em HQs como na música, é disposição e paciência pra garimpar, procurar, pesquisar e encontrar suas pepitas. Mas parece que tem gente que prefere mesmo é ficar reclamando sobre como hoje está tudo uma merda do que fazer algo bom. Ou pelo menos, procurar alguém que faça melhor.

Quem não mete as caras e vai pesquisar coisa melhor merece isso...

Eu poderia fazer um mega postzaço indicando algumas pepitas dos anos 90 que fariam vocês verem essa década com outros olhos, demonstrando por A+B que não foi só de Vanilla Ice, P.O. Box, Ace of Base, Jordi, É o Tchan e Latino que os anos 90 foram feitos. Mas hoje não vou falar de música. A pepita do dia é uma HQ autoral do queridinho do pós 2000 pra cá, o canadense Jeff Lemire. O autor, de raízes indie, já trabalhou com super heróis por um tempo, tendo escrito o Homem-Animal para a DC, Gavião Arqueiro, Velho Logan e Cavaleiro da Lua na Marvel. Tendo trabalhado com essas visões tão diversas de personagens de outras editoras, é natural que Lemire tenha acabado criando seus próprios super heróis, tão únicos e ainda assim, tão reconhecíveis e referenciáveis a outros personagens clássicos, e tão bizarros quanto a situação em que estes mesmos heróis estão inseridos. Black Hammer é uma HQ da Dark Horse Comics, que foi - merecidamente - ganhadora do Eisner de 2017 de Melhor série original, mas se vocês estão pensando que vem aí mais uma Liga da Justiça genérica, podem esquecer essa possibilidade. Só posso definir Black Hammer como a cria bizarra que resultaria de uma sessão de sexo tórrida entre The Umbrella Academy e Astro City!




A HQ conta a história de sete heróis, que após salvar o mundo de um adversário terrivelmente poderoso (que lembra bastante o Darkseid, só pra deixar o leitor esperto quanto à periculosidade da criatura, já que esse é um universo ficcional novo, sem cronologia conhecida pelo leitor, e com décadas de cronologia implícita, que vamos descobrindo aos poucos, capítulo a capítulo) aparecem em uma comunidade rural, uma mistura de limbo e prisão, da qual não conseguem sair, e que eles sequer têm certeza de que encontra-se situada em nossa dimensão! Agora, funcionando como uma família disfuncional, os heróis precisam buscar uma forma de escapar deste estranho local, escondendo seus poderes da população do lugar, vivendo uma vida medíocre, além de terem que encarar seus próprios infernos pessoais.

Déjà vu.

Era de Ouro, Era de Prata, Era das Trevas...


Mas quem são os heróis de Black Hammer?



ABRAHAM SLAM:

Um misto de Capitão América e Batman, Abraham Slam já era um veterano prestes a se aposentar quando ocorreu o evento que os lançou nesse limbo. Slam é o único humano comum, sem nenhum tipo de poder, e também o único a se sentir contente na atual situação, vivendo uma vida "normal". Pena que seus companheiros não concordam...



























MENINA DE OURO: 

Essa é fácil, não? A Menina de Ouro é uma alusão óbvia  à Família Marvel (Shazam para os íntimos) e à família Miracleman, é claro (que já era uma alusão aos Shazam), com direito a palavra mágica de transformação e tudo o mais. O problema é que na atual situação ela não envelhece, sendo uma mulher adulta no corpo de uma menina de 9 anos, o que, como se pode imaginar, rende muitos problemas. ZAFRAM!




























BARBALIEN: 

Barbalien é um nativo de Marte que veio para a Terra em uma missão diplomática que deu errado, e é a mescla entre o Caçador de Marte e o Guerreiro, ambos da DC. Mesmo antes do confinamento e perfeitamente disfarçado entre os humanos, o marciano tem seus segredos e se sente terrivelmente deslocado, por não poder ser quem ele realmente é. E isso em mais de um sentido...

 

























CORONEL WEIRD: 

Um astronauta que se envolveu em um acidente no espaço, o Coronel Weird é um mix entre Adam Strange, o aventureiro cósmico da DC Comics, e o Doutor Estranho, da Marvel, circulando em uma dimensão estranha conhecida como Metazona. Weird está sempre transitando entre a Metazona e o local onde ele e seus companheiros estão cativos e não vivencia tempo e espaço como nós: Ele transita por momentos aleatórios do passado e do futuro, e parece saber coisas que ainda nem imaginamos. Claro que uma experiência assim faz com que a pessoa não seja totalmente sã... Coronel Weird tem uma espécie de sidekick robô, a sentimental Talkie Walkie.


 

























MADAME LIBÉLULA:

Madame Libélula tem poderes de origem mística, e lembra um cruzamento entre o Guardião da Cripta, das antigas HQs de terror da EC Comics, e a Ravena, dos Novos Titãs, que sempre tinha problemas com a perda de controle de seus poderes, causando  problemas tanto quanto resolvendo-os.




























BLACK HAMMER:

Falecido. Ainda não sabemos exatamente como aconteceu, mas foi seu sacrifício que impediu nosso mundo de ser destruído pelo terrível Antideus.









O tom em Black Hammer é referencial o tempo inteiro, mais ou menos como vemos em Astro City, onde muitas histórias já aconteceram, mas ainda não foram apresentadas a nós, leitores. A sensação é a de existirem muitas lacunas a serem preenchidas, então aguardemos os próximos volumes para essa colcha de retalhos se expandir...



Sobre a arte de Dean Ormston, só posso dizer que estou impressionado! O desenhista melhorou bastante desde a época em que desenhava as mensais de Os Livros da Magia, da Vertigo. O traço de Ormston, bem como suas composições de páginas evoluíram muito dos anos 90 para cá e isso assentou muito bem em Black Hammer. Também integra a equipe criativa o lendário colorista Dave Stewart, que já ganhou nove prêmios Eisner, é um veterano dos primórdios da Dark Horse, e já trabalhou em Hellboy, Conan, The Goon, The Umbrella Academy, entre muitos muitos muitos outros títulos.

Fichas de personagens não aproveitados. Bateu nostalgia das fichas nos formatinhos da Abril...

Esboços de Dean Ormston

Este primeiro volume, Black Hammer: Origens secretas, reúne as primeiras seis edições originais e conta ainda com um posfácio do Lemire explicando a concepção e execução da HQ, fichas de perfis da construção de personagens e esboços originais de Dean Ormston. Eu devo confessar que estava preocupado com a cara desse encadernado, já que a editora Intrínseca não tem muita experiência em publicar HQs. Pensei: "Poha, lá vem mais um gibi até que bacana, mas em formato paraguaio, com tradução ruim e papel pior ainda...". Estou feliz em descobrir que estou errado em tudo: O encadernado da Intrínseca é em formato americano, papel couché, todos os extras da edição americana, sem cortes. O trabalho da Intrínseca aqui surpreendeu muito, e positivamente! Essa edição está no padrão da Panini. Digo, o padrão da Panini quando acerta...

 

Momento Steve Ditko!

Mais um déjà vu do bom aqui! Precisa explicar qual é essa referência???

Coloque Cleyton na sua história, e não tem como errar!

Essa HQ vai acertar em cheio quem curte títulos como Patrulha do Destino, Astro City ou Umbrella Academy. Equipes de super heróis fora do padrão apolíneo-perfeitão-ianque, personagens sofrendo com problemas bem palpáveis e realistas, ao mesmo tempo em que precisam enfrentar ameaças surreais. Se vocês têm preguiça de procurar alguma nova HQ para ler, aceitem essa humilde sugestão. E aproveitando, se quiserem uma sugestão de música também, posso afirmar que esse artista ai embaixo foi o melhor e mais completo dos anos 90. Viu como não é difícil garimpar ouro puro????




Arte de Fábio Moon

sexta-feira, 11 de maio de 2018

BEASTS OF BURDEN - RITUAIS ANIMAIS, de Evan Dorkin & Jill Thompson, ou "O Stranger Things dos pets!"






Por EDUARDO CRUZ



Grandes ou pequenos
Gordos ou magros
Esse é o destino a que estamos fadados
Fechamos nossos olhos e dormimos
E um ninho de moscas deixamos quando partimos

Tradicional poema canino
Autor desconhecido





Um grupo de animais de estimação de uma vizinhança suburbana aparentemente pacata, reunidos para investigar e resolver ocorrências sinistras e sobrenaturais. Premissa bobinha, né? Eu não perderia meu tempo lendo isso. Ok, tem a arte da diva Jill Thompson, mas mesmo assim não parece ser pra mim, burro velho que sou. Até que li em algum lugar que essa série, da editora Dark Horse, faria um crossover com o Hellboy! Aí, meu coração de verme fanboy (pleonasmo?) bateu mais forte e finalmente prestei atenção em Beasts of Burden! Bom, a tal história com a participação do Hellboy não apareceu nesse primeiro volume, mas não quer dizer que eu tenha me arrependido: Beasts of Burden é um quadrinho soturno, dark, tenso e com momentos de partir o coração e encher os olhos de lágrimas. O mote de "Bichinhos-fofinhos-lutando-contra-perigos" aqui é tão infantil quanto o Rover Red Charlie, de Garth Ennis ou WE3, da dupla Grant Morrison/Frank Quitely. E quem conhece essas HQs sabe que não é gibi pra deixar dando mole pro seu sobrinho de 8 anos pegar e ler hehehe.

WE3. Arte de Frank Quitely

Milk and Cheese
Beasts of Burden é escrita pelo quadrinista indie Evan Dorkin, que é famoso lá fora pela sua Milk and Cheese Comics, uma dupla antropomórfica composta por.... um pedaço de queijo e uma caixinha de leite(!!!), que odeiam a humanidade. Além disso, Dorkin trabalhou aqui e ali na Marvel e na DC. Pouca coisa. O cara é indie até a medula, e é um autor que merece mais atenção por parte das editoras aqui no Brasil. Já Jill Thompson dispensa apresentações. Conhecida de longa data dos leitores brasileiros, a Sra. Brian Azzarello tem muita coisa publicada pela DC Comics, e já fez a arte de Sandman, Os Invisíveis, Orquídea Negra e Mulher Maravilha. Uma ótima equipe criativa.

Arte de Jill Thompson

Arte de Jill Thompson


Na HQ, acompanhamos um pequeno grupo de animais de estimação, composto de cinco cães e um gato, que notam eventos estranhos ocorrendo na vizinhança e são forçados a se unir e tomar parte no combate a lobisomens, fantasmas, deuses egípcios malévolos, cães zumbis e demônios em forma de sapos gigantes. As histórias, apesar de curtas e fechadas em si, possuem um pano de fundo que costura todos esses eventos, aparentemente aleatórios, em algo maior, mas que ainda não se revelou neste primeiro volume. E aquela impressão que eu comentei lá em cima, sobre tudo ser pueril ou vago demais? esqueçam: Dorkin e Thompson constroem um mundo até que complexo e bastante rico, onde o sobrenatural se faz presente o tempo todo. Mas nem só de terror vive essa HQ: existem muitos momentos de humor, momentos de aventura e momentos de sensibilidade de rasgar o coração. Leiam a história da cachorra que pede ajuda aos nossos heróis quadrúpedes e vocês vão saber do que estou falando. Impossível não dar uma pausa para secar as lágrimas antes de avançar para a próxima história do encadernado...


Homenagem dupla a Stephen King. Quem aí lembra de "Cujo" e "O Cemitério"???
O desenvolvimento de personagens é bem bacana: cada um dos bichos possui uma personalidade distinta e bem definida, e Dorkin aproveita essa diversidade de humor e caráter para criar uma interação bem natural, e a belíssima arte aquarelada de Thompson complementa isso maravilhosamente, com a expressividade que ela imprime a cada animal.


Essa edição nacional, publicada pela Pipoca & Nanquim Editora, vem caprichada com o esmero de sempre: Capa dura, detalhes em verniz, papel de alta gramatura no miolo, formato grande (27,8 x 19,8cm). Além de contar com várias páginas de extras, contendo esboços, pin ups, capas alternativas e tal. Podem me chamar de rabugento, mas se o excesso de luxo da edição impacta demais no preço, não fica tão interessante adquirir a HQ, ainda mais em se tratando de uma série contínua, o que envolve começar uma nova coleção, que obrigue o leitor a comprar volumes periodicamente. Não levem a mal, consegui meu exemplar numa promoção por um preço que me deixou bem satisfeito, ainda mais porque já estava até me conformando em deixar Beasts of Burden passar. Mas eu me contentaria do mesmo jeito com uma edição mais simples, em capa cartonada e sem extras mesmo. Na minha opinião, poderia ser menos luxuosa, e consequentemente, mais acessível. Mas que ficou linda, ficou! Parabéns aos envolvidos rs.




Ilustração de Camilo Solano

Dorkin conseguiu criar uma ótima ambientação e um belo fiapo de cronologia e desenvolvimento de personagens em um punhado de histórias, além do cliffhanger bacana no final desse primeiro encadernado. Definitivamente, volto pra uma nova visita em Burden Hill se o Pipoca & Nanquim prosseguir com a publicação de Beasts of Burden, afinal, tô esperando o vermelhão aparecer pra brincar com a bicharada...






sexta-feira, 4 de maio de 2018

THE BLACK MONDAY MURDERS, de Jonathan Hickman e Tomm Coker, ou "E se o Tio Patinhas fosse satanista???"









Por EDUARDO CRUZ INVERTIDA


"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro".
Mateus 6:24




Falar de economia e entender de economia parece algo críptico, vedado, um conhecimento arcano restrito a uma pequena elite. Aquisição, downsizing, ativo financeiro, Dow Jones, debêntures, dumping, holding, joint venture... essa parte do conhecimento humano parece murada e gradeada por termos que beiram o hermetismo, impossibilitando sua plena compreensão às massas. Mais ou menos como sempre se fez com... a magia. Mas e se os rumos de todos os mercados do mundo, o fluxo das riquezas, sempre indo com mais intensidade em certas direções do que em outras mais necessitadas... e se tudo isso fosse assegurado porque realmente há uma influência metafísica por trás dos bastidores, ditando os rumos do mundo e em quais mãos o poder - e por conseguinte a riqueza - se concentra?

























A trama de The Black Monday Murders, um título da Nova Vertigo Image Comics aborda estas questões, tudo em um tom de mistério, conspiração e misticismo, muitas vezes flertando abertamente com o horror. A HQ nos traz a história de uma conspiração secreta, onde aristocratas e oligarcas manipulam a humanidade por meio do controle econômico, venerando Mammon, uma entidade pagã citada na bíblia, frequentemente associada ao dinheiro. Mammon é a personificação do poder. E qual é a mais intensa e quantificável manifestação de poder que existe nesse nosso meio material, no mundo em que vivemos?
Isso mesmo, O DINHEIRO!


A premissa de "A-história-por-trás-da-história-que-aprendemos-na-escola" lembra outro excelente título de Hickman, Projeto Manhattan. O autor costuma pegar fatos históricos e recontá-los à luz da HQ, por mais absurda que seja a proposta. Hickman pega a realidade e adiciona a ela sua camada de absurdo criativo. E fica assustadoramente crível. Em The Black Monday Murders, por exemplo, há a fantástica reinterpretação acerca dos suícidios fomentados pelo Crash da bolsa de valores de 1929. Os supostos suicídios não passaram de sacrifícios coletivos com o intuito de apaziguar a crise econômica e retomar as rédeas do mercado. Na verdade, há várias intervenções pseudo históricas de Hickman, essa camada extra atribuída a este grande enclave de bruxos financeiros, que vai desde a criação da nomisma, a moeda corrente do período Bizantino, passando pela criação de grandes cartéis financeiros, sempre reverenciando o deus dinheiro e sua personificação, Mammon.


Representação medieval de Mammon

 Alternando entre flashbacks e eventos ocorridos no presente, a HQ começa a engrenar quando um figurão de Wall Street - e descendente de uma dessas famílias dominantes - é assassinado, com estranhos rituais e símbolos presentes por toda a cena do crime. O detetive Theodore Dumas, encarregado da investigação, começa a seguir e decifrar as pistas, e todo um horrível submundo vai se descortinando lentamente, para Dumas e para nós, leitores. Acompanhamos o progresso da investigação de Dumas ao mesmo tempo em que vemos flashbacks expondo estas famílias e seus relacionamentos no passado.






"O primeiro milhão de dólares que vocês fazem é auto financiado. Vocês o conquistam com seu próprio sangue. O custo é sua saúde, sua família, seus amigos. Vocês pagam, compreendem? O erro mais comum é acreditar que se pode acumular ainda mais simplesmente continuando com esse comportamento.
Não podem. Se vocês querem lucrar ainda mais... se querem fazer dinheiro de verdade... acumular poder de verdade... então isso terá de ser feito apoiado nas costas dos outros.
Chamem eles de trabalhadores, chamem de proletários, até mesmo de escravos. Eu não me importo. Apenas saibam, são eles que vocês sacrificarão pelo ganho."


O ritmo da HQ pode ser considerado um tanto lento, mas Hickman não parece ter a menor pressa em desenvolver esse épico dark. A narrativa e a composição de cada edição tem páginas desenhadas, como qualquer HQ convencional, mostrando os acontecimentos nas diferentes linhas temporais, e entre estas páginas existem diagramas de magia, atas de reuniões secretas e alguns relatórios e arquivos com palavras censuradas, no melhor estilo "quem matou Kennedy?", auxiliando na contextualização da história e desdobrando eventos fora da linha narrativa principal, o que não é novidade para quem já leu alguma HQ do Hickman, que adora gráficos e outras formas não convencionais para conduzir a história. A arte de Tomm Coker (Undying Love - Amor Imortal, lançado pela Mythos uns anos atrás) lembra uma mescla de Tommy Lee Edwards com Alex Maleev, e seu traço sombrio não poderia ser mais adequado à trama, ajudando - e muito -, o leitor a absorver todo o tom sombrio e conspiratório da HQ.






Ah, e como não há a menor indicação de que alguma editora vá lançar isso aqui no Brasil, dá pra deixar um link pra ler as scans traduzidas online AQUI. De nada.


*** Um breve parêntese aqui: Eu queria muito saber por que a equipe criativa da HQ resolveu retratar a personagem Grigoria Rotschild com a cara da Casey Calvert, uma das atrizes pornô mais conhecidas em atividade atualmente. Isso atrapalha demais para manter a  concentração na história, mas foi um belo fan service rs...












Então é isso aí: Dinheiro e magia. Conspirações mundiais. A manipulação do mercado através da grande mão invisível da magia. Reflexões sobre o que vem a ser o capital e o possível futuro do sistema capEtalista. Vampiros russos oligarcas. Vodu. Demônios. Mammon. O Código da Vinci para adultos rs. Se vocês estão procurando uma série nova pra chamar de sua, The Black Monday Murders é genial, sem sombra de dúvida, mas não é pra qualquer leitor. É um daqueles gibis que certamente vai desagradar quem está querendo ver ação com uniformes coloridos ou horror escancarado e gratuito demais. Tudo aqui nesse gibi é construído em camadas densas e sem a menor pressa - a HQ começou a ser publicada em 2016 e não saíram nem dez edições ainda - Um argumento fantástico, onde a cada página lida você se pergunta "Por que ninguém pensou nisso antes???". Bom, Jonathan Hickman pensou. O resultado é esse aí. Agora, vão conhecer mais desse título e não fiquem aí lerdando. Afinal, tempo é dinheiro. E dinheiro.... bom, vocês já entenderam...

"A história de Wall Street é escrita em sangue... É uma indústria construída à base de sacrifício humano."