sexta-feira, 1 de junho de 2018

RESENHAS RELÂMPAGO: Abril / 2018 e Maio / 2018

 

Saudações, humanos!!


Voltamos! E com todas as Resenhas Relâmpago de abril e maio pelo Instagram e Facebook, agrupadas aqui nesse post! Sim, todas as HQs que lemos entre abril e maio e receberam essa avaliação mais rápida, com uma opinião também rápida e rasteira, que manda na lata se vale a pena ou não começar uma nova coleção ou continuar acompanhando um determinado título. Dê uma conferida nesses textos, quem sabe a gente não dá aquela moral pra evitar certas furadas sendo publicadas, ou apontar aquela pepita que você não viu, por causa da maldita sobrecarga informacional do ciberespaço hehehehehe.

Dentre os achados do mês, os destaques são os Vingadores e Novos Vingadores do roteirista Jonathan Hickman, o novo encadernado do Monstro do Pântano e a continuação de O Legado de Júpiter, ambos de Mark Millar, o James Bond escrito por Warren Ellis, muita coisa boa da Vertigo, um potencial clássico da Marvel (rs) e muito mais. Além disso, algumas dessas resenhas já marcam a entrada de nosso novo integrante, Ray Jr.!!! Então, para facilitar pros leitores, as resenhas relâmpago vão passar a vir assinadas, assim vocês não xingam o cara errado, ok? :>)))))

Então, vamo que vamo!




VINGADORES – ADAPTE-SE OU MORRA

OS VINGADORES EM ROTA DE COLISÃO COM O TEMPO – E COM SI MESMOS. Na sequência de Infinito, Capitão América e Homem de Ferro planejam a nova versão dos Vingadores, mas são interrompidos por um visitante do futuro que traz notícias sombrias: um planeta desgarrado ruma em direção à Terra. Enquanto a equipe busca uma solução que mal compreende, novos mistérios surgem do fluxo temporal e os Vingadores precisam enfrentar a si mesmos – de novo. Essa luta será tão grandiosa quanto a que tiveram com os X-Men? Conforme a Guerra Científica assola o(s) mundo(s), qual é o segredo dessa equipe expelida do tempo?

E o Hickman continua, por acaso, fazendo o que a gente mais gosta de ver em HQs: viagem no tempo e mundos e personagens alternativos! Mal executado, esse tipo de temática fica intragável, mas não é o caso aqui! Hickman trabalha, literalmente, DÚZIAS de personagens no que talvez seja a abordagem mais ousada desde a criação dessa super equipe da Marvel. Altas surpresas e reviravoltas – especialmente com os Homens de Ferro vindos do futuro ou de Terras paralelas! E nenhum deles é quem poderíamos começar a especular! – neste arco, com uma equipe dos Vingadores que não pode ser exatamente considerada heróica. Pensando bem, não pode ser considerada heróica de maneira alguma. E como os NOSSOS Vingadores vão lidar com mais essa?

Hickman não dá tempo pro leitor respirar após todo aquele caos da saga Infinito, e ainda por cima não esqueçamos os eventos de Incursão entre as Terras que os Vingadores (e nos bastidores, os Illuminati) precisam lidar, onde uma Terra alternativa precisa ser destruída para outra sobreviver. Será que estamos próximos de saber quem é o responsável pela maior ameaça que os maiores heróis da Terra já encararam???

Uma montanha russa de ação e emoção, amiguinhos. Não acompanhei isso na época em que saía aqui em títulos mensais, então estou saboreando cada encadernado dessa grande saga que tem saído por aqui. Até o próximo!

(Eduardo Cruz)
Compila as edições #24 a #28 da série Avengers.
140 páginas. Capa dura.
R$ 40,00


 
JAMES BOND 007 – VARGR

Depois de vingar sua morte, James Bond assume os casos de seu colega na Divisão 00: o Agente 008. Sua nova missão é acabar com um aparentemente pequeno tráfico de drogas em Berlim, sem fazer idéia das terríveis forças que estão se juntando contra ele, nem da vasta e letal conspiração que elas colocaram em movimento. Para escapar ileso de Berlim, 007 terá de fazer valer, com força total, sua Licença para Matar! Com uma ação digna das telas de cinema, nenhum fã de 007 pode perder este fantástico arco de histórias escrito por Warren Ellis (Transmetropolitan) e Jason Masters (Corporação Batman)!

James Bond em uma HQ com roteiro de Warren Ellis, que aqui escreve no piloto automático, e que piloto automático! Uma HQ espetacular, com um Ellis que entrega uma história pronta para ser adaptada para um excelente filme de James Bond – melhor que os dois últimos kkkkk -, e o leitor que tem intimidade com o trabalho de Ellis consegue perceber que ele nem se esforçou pra isso! O roteirista conserva boa parte do que é marcadamente característico em sua obra: os diálogos humoradamente inteligentes, personagens estranhos, cenários de ação bem construída e violência absurda, tudo isso, entretanto, de forma bem mais contida do que ele costuma lançar mão. É como se Ellis respeitasse a criação de Ian Fleming o suficiente para mantê-lo fora de qualquer insanidade narrativa que o roteirista tenha o costume de fazer em suas próprias HQs. A arte de Jason Masters casa perfeitamente com o tom do roteiro, ou sejE: Não é nada espetacular, mas é boa, servindo a seu propósito. Não é uma das estrondosamente melhores HQs dos últimos tempos, mas também não é um vexame que não vale nem o papel em que foi impressa.

Fãs de James Bond podem ler sem medo de se decepcionar. Já os fãs de Ellis, estejam preparados para uma versão light do roteirista nesta HQ. Uma ótima história de espionagem, onde não faltam as obrigatórias reviravoltas, escapadas absurdas da morte certa, capangas com próteses exóticas e claro, mulheres fatais...

(Eduardo Cruz)


Compila as edições #01 a #06 da mini série James Bond 007 - VARGR.
180 páginas. Capa dura.
R$ 69,90


O LEGADO DE JÚPITER – VOLUME 2

Os super-heróis dominaram o mundo. Poderão os supervilões nos salvar? Hutch, Chloe e seu filho Jason saem de seu esconderijo para reunir uma equipe formada pelos maiores canalhas do mundo. O objetivo: deter Brandon e seu tio Walter em sua missão de salvar o mundo. Do roteirista Mark Millar (Kick-Ass, Starlight, Os Supremos, Kingsman: Serviço Secreto) e do desenhista Frank Quitely (Grandes Astros Superman, Batman & Robin, Novos X-Men, WE3).

Millar encerra mais este capítulo dessa saga familiar, em uma história sobre legado, super-humanidade, altruísmo e justiça. O roteirista se esforça para construir um épico, que já abarca três gerações, e apesar de certos momentos que lembram alguns dos gibis enlatados que ele faz já pensando nas adaptações televisivas/cinematográficas, em O Legado de Júpiter ele tem nos dado um trabalho acima da média, que apesar de sua história bastante simples, tem uma estrutura ágil e as cenas de luta e ação entre personagens com superpoderes mais intensas e criativas desde The Authority! A narrativa comprimida de Millar nos conta muita coisa em poucos diálogos, mas ainda assim é uma HQ que deixa o leitor absorto por uns dois dias seguidos, já que a arte ultra meticulosa de Frank Quitely – o Winsor McCay dos dias de hoje! – é cada vez mais fascinante, e reler esse modesto épico dos anos 2010 se torna quase uma compulsão. O segundo volume se encerra, apesar da conclusão óbvia, com uma misteriosa promessa de eventos ainda mais grandiosos por vir, sugeridos nas entrelinhas das origens dos poderes dos super humanos primordiais, e meu palpite é que no próximo volume talvez vejamos um Jason, já adulto, descobrindo o motivo de alguns humanos terem sido contemplados com super poderes? Só o tempo dirá. Aguardemos o próximo capítulo dessa saga!

(Eduardo Cruz)

 
Compila as edições #01 a #05 da mini série Jupiter’s Legacy – Volume 2.
136 páginas. Capa dura.
R$ 41,00



BATMAN – O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ

Enquanto vencia a terrível Corte das Corujas, derrotava o insano Coringa e sobrevivia ao violento Ano Zero, o Homem-Morcego de Gotham City viveu outras aventuras tão históricas quanto essas e é aqui que elas serão reveladas! Estes contos mostram o Batman em luto por seu filho perdido, se infiltrando no Asilo Arkham e rastreando um assassino em série. Abrangendo o passado, o presente e o futuro do herói, este encadernado enriquece o mundo de um dos mais amados campeões da justiça dos quadrinhos.

Esse encadernado compila algumas histórias soltas do Batman e não segue a ordem das publicações anteriores, por isso não há grandes problemas na leitura dessa disposição de edições do encadernado. Essas histórias menores abordam vários personagens coadjuvantes que foram apresentados aqui e ali em arcos anteriores e em títulos paralelos, como Batman Eterno. O volume serve como prólogo para alguns arcos, como o Ano Zero, por exemplo, e de epílogo para outros, como as histórias de corporação Batman e Batman & Robin envolvendo o pós-morte de Damien Wayne. Destaque para as histórias em que o foco fica em outros personagens como Dick Grayson, Jason Todd e Barbara Gordon.

A maioria dos roteiros têm um problema sério, que se chama Scott Snyder. O roteirista é um dos maiores embusteiros que surgiu neste meio nos últimos anos. Snyder consegue levantar a bola por diversas vezes em seus trabalhos apresentando e desenvolvendo uma idéia boa, por vezes até original, para no final estragar tudo com muita forçação de barra e um toque de pedantismo. A DC tem apostado cada vez mais no Snyder e francamente, ele não corresponde. Este encadernado só não é perda total por causa das histórias escritas por James Tynion IV (mas não tanto rs) e da arte de Greg Capullo. Fãs de histórias do Batman, fãs de Greg Capullo e pacientes terminais da Doença do Morcego em geral ficarão satisfeitos com esse lançamento. Fora isso, é melhor reler Ano Um pela centésima vez.

(Eduardo Cruz)


Compila as edições #0, #18, #19, #20, #28 e #34 da série Batman, além do especial Batman Annual #2.
228 páginas. Capa dura.
R$ 64,00

 

ART OPS VOLUME 2 - POPISMO

A boa impressão deixada pelo primeiro volume aqui na Zona nos fez ir ávidos no encalço da leitura do segundo. E tudo que agradou continua, intensificado e de forma inteligente, sem exageros e graças a um único personagem que rouba a cena: Danny Doll. O pai de Reggie Revolt retorna para tentar se aproximar do filho que nunca conheceu, mas isso não será nada fácil, pois o punk o culpa por todos os acontecimentos recentes.

Danny Doll e Regina Jones estrelam as duas primeiras histórias do encadernado, em que a Art Ops versão anos 70 começa a entrar em rota de colisão devido aos pontos de vista diferentes das duas lideranças em relação a como lidar com a arte viva em nosso mundo. Edições magistralmente desenhadas por ninguém menos que Eduardo Risso!

Nas edições seguintes, agora tendo o peso da responsabilidade de comandar a Art Ops, Reggie tenta segurar as pontas enquanto o Corpo e J Gourgeous viajam para LA na tentativa de vender um roteiro para Hollywood e Danny Doll segue em sua cruzada para libertar todo tipo de arte, visando uma coexistência pacífica com a humanidade. Contrapondo os planos do ex-líder da Art Ops surgem os Papais Suburbanos, organização que como o nome sugere, são pais suburbanos de meia idade dispostos a lutar pelos valores da “moral, bons costumes e família tradicional”, incluindo censurar e destruir todo tipo de arte que julguem imprópria.

Mantendo a vibe despretensiosa e divertida até a sua conclusão, Art Ops não decepciona e mostra por que recebeu tantos elogios e indicações a prêmios. Shaun Simon é um nome pra se ficar de olho no futuro, roteirista já conhecido por ter trabalhado com Gerard Way anteriormente. Claramente tendo como inspiração séries clássicas do selo Vertigo, como Patrulha do Destino e Shade, Art Ops utiliza muito bem a narrativa non-sense e apresenta conceitos interessantes que instigam e entretém o leitor, se consagrando como um dos títulos mais bem sucedidos da Vertigo atual.


(Ray Jr.)




Compila as edições #7 a #12 da série Art Ops.
172 páginas. Capa cartonada.
R$25,90



ASTRO CITY VOLUME 7 – A ERA DAS TREVAS 2: IRMÃOS EM ARMAS

São os anos 1980 em Astro City. E faz frio. Os heróis da cidade ficaram mais sinistros, mais brutais, mais perigosos. Mas Charles e Royal Williams não se importam, porque eles também ficaram. Os dois estão atrás do homem que matou o pai deles em uma batalha de super-heróis muito tempo atrás, e ninguém – herói, vilão, bandido, monstro ou entidade cósmica – será capaz de impedi-los.

Na impactante conclusão de A ERA DAS TREVAS, os aclamados contadores de histórias Kurt Busiek e Brent Anderson trazem uma Astro City lutando pela alma perdida. O futuro pertence aos heróis como a Primeira Família ou o Samaritano? Ou aos vigilantes, como o Ponta de Lança, Stonecold ou o mortífero Cavaleiro Pálido? Os heróis que temos são os que merecemos? IRMÃOS EM ARMAS traz a conclusão do épico mais sombrio de Astro City, uma viagem a uma história alternativa tão real que você juraria que esteve lá.

Astro City sempre é sinônimo de qualidade, revisionismo do bom, e a melhor HQ auto referencial de super heróis fantasiados da atualidade. Sem novidades até aqui. Mas essa saga "A Era das Trevas" abusou! Uma coisa que comentamos aqui na Zona desde que a HQ começou a ser publicada pela Panini é como a obra prima de Busiek consegue evocar memórias de leitores mais antigos, aqueles que chegaram a ler os mixes da editora Abril com aquele sabor de nostalgia setentista, porém em Astro City com a consistência e maturidade no melhor nível a que uma HQ contemporânea pode almejar. A alegoria de Busiek a esta era dos quadrinhos, amparada pela arte competente de Brent Anderson, é perfeita, evocando resquícios de uma era que ainda preservava alguma inocência, no final da Era de Prata dos quadrinhos, para adentrar uma época mais sombria, no início dos anos 80, que é conhecida pelos estudiosos do período, entre outras alcunhas, como.... a Era das Trevas! A imersão que cada encadernado de Astro City provoca no leitor é assombrosa: Cento e poucas páginas de Astro city equivalem facilmente a anos de gibis da Marvel/DC, dada a quantidade de coisas acontecendo em primeiro e segundo (e terceiro) planos e o volume de informação e ação em suas páginas é estupendo!

Ver a transformação dos irmãos Charles e Royal, de cidadãos comuns de Astro City, meros espectadores nesse teatro fantástico de heróis e monstros, para algo mais... extraordinário também foi uma experiência única ao longo desses dois últimos encadernados. Incrível é ver como Astro City entrega histórias individuais excelentes ao mesmo tempo que constrói e amarra a cronologia de seus ilustres habitantes e grupos superpoderosos, e além disso TAMBÉM constrói a mitologia da cidade em si! Senhoras, senhoritas e senhores, quando eu digo que não existe HQ parecida, vocês deveriam me levar mais a sério...

Eu, pessoalmente, prendi a respiração esperando que o destino dos irmãos, obcecados por vingança, tivesse um final triste e violento, mas novamente Busiek surpreende com um ótimo plot twist - que inclusive remete ao primeiro encadernado!!! - , e claro, pontas soltas que sem dúvida devem culminar em outro arco incrível futuramente.

A molecada hoje em dia anda abusando da palavra "Épico" para muita porcaria, mas para definir Astro City, somente "ÉPICO" dá conta mesmo...

(Eduardo Cruz)


Compila as mini séries Astro City: The Dark Age Book Three #1 a #4 e Astro City: The Dark Age Book Four #1 a #4
244 páginas. Capa cartonada.
R$ 34,90
 


HOMEM-ANIMAL: PRAGA VERMELHA

A família Baker não tinha como se manter da mesma forma após os últimos acontecimentos. A morte de Maxine abalou a estrutura psicológica de todos, mas a sua volta pode fazer muito mais e numa escala muito maior.

Para Ellen, o momento pode ser o de recolher-se para tentar processar tudo pelo que tem passado. Já Buddy tem voltado-se cada vez mais para o Vermelho, tornando sua conexão com a humanidade mais tênue. O ritmo acelera, as apostas se tornam maiores e os riscos muito mais altos.

Um novo movimento se forma ao redor do agora mais selvagem Buddy Baker, uma força crescente formada por homens e animais, todos seguindo Buddy, Maxine e um chamado selvagem do Vermelho. Mas o Homem-Animal está cumprindo um papel de Noé contemporâneo, salvando seu rebanho da extinção… ou é apenas um Flautista Mágico os levando a uma sangrenta e brutal extinção?

Este encadernado é o oitavo que publica o HOMEM-ANIMAL pós-Grant Morrison, concluindo a fase do roteirista Jamie Delano (HELLBLAZER), com arte de Steve Pugh (PREACHER: SANTO DOS ASSASSINOS), Russ Braun (The Boys) e Peter Snejbjerg (Starman).

A edição final da fase Delano em Homem Animal é diferente de qualquer HQ que você tenha lido. Uma jóia única. Pouquíssimas vezes um personagem de histórias em quadrinhos foi desconstruído assim de forma tão radical, reconfigurado, ressignificado e afastado dos elementos simplistas de sua concepção original. Se no volume anterior o título já havia se mostrado audacioso o suficiente em não ter situações e lutas entre meta humanos típicas dos comics americanos e mostrou uma comuna matriarcal sendo formada em suas páginas, aqui Delano deu um passo além e mostrou Buddy Baker, o Homem Animal, completamente integrado ao Vermelho, despojado de sua forma humana e liderando pessoas e animais em uma cruzada messiânica contra a sociedade de consumo como a conhecemos! Buddy e sua filha Maxine decidem criar a Igreja do Poder da Vida, e arrebanham seguidores, tanto humanos quanto animais, rumo a uma terra prometida no meio de Nebraska, em sua tentativa de romper com o sistema e fazer nascer uma nova sociedade mais harmonizada com a natureza. Claro que não vão faltar perigos e antagonistas decorrentes desta situação, mas Delano encaminha as situações a direções que o leitor sequer imagina. Maxine Baker é incrível. Buddy como avatar do Vermelho chega ao ápice enquanto personagem de uma maneira que invalida as histórias posteriores do personagem (vocês precisam ler para saber do que estou falando). O fechamento desta fase, apesar de existirem mais dez edições com o inexpressivo Jerry Prosser nos roteiros antes do cancelamento do título, são o encerramento perfeito, o encerramento de série que os fãs sentiram muita falta em Hellblazer. John Constantine merecia o Jamie Delano para dar uma saideira decente como esta aqui foi.

A sequência final do encadernado, que mistura a liturgia cristã do “Esse é o meu corpo, esse é o meu sangue”, sincretizada com uma orgia típica de povos pagãos.... sem palavras. A DC sempre foi ousada em seus títulos, mas a senhora, Dona Karen Berger, enquanto esteve à frente da Vertigo levou isso ao extremo! Poucas vezes um gibi mainstream foi tão subversivo assim. Pena que acabou. Mas foi mágico enquanto durou e marcou gerações de leitores. Falo com tranquilidade que esta fase é tão magnífica quanto a fase Grant Morrison à frente do personagem, e acredito que ninguém vai ficar pistola comigo pela comparação, certo?


(Eduardo Cruz)


Compila as edições #71 a #79 da série Animal Man.
236 páginas. Capa cartonada.
R$ 29,90

 

LUA DO LOBO

O que você sabe sobre Lobisomens? Alguns dizem ser uma maldição ou um vírus, que se adquire ao ser mordido por um outro lobisomem. Outros dizem ser uma patologia, um transtorno psicológico. A certeza é que pessoas afetadas por licantropia narram episódios de completa transformação, geralmente sob influência da lua cheia, em uma fera selvagem híbrido de lobo e homem, o predador máximo no topo da cadeia alimentar causando morte, violência e horror por onde passa. Dillon Chase é uma dessas pessoas. Responsável indireto pela morte de inocentes, incluindo sua própria família, viu seu mundo ruir perante as presas e garras de um monstro que tomou seu corpo e que logo depois o descartou.

Ao completar o ciclo lunar, o espírito-lobo parte em busca de um novo hospedeiro, deixando o antigo pra trás com todas as lembranças e transtornos pelo que fez. Muitos não conseguem viver com a culpa. Outros são mais fortes. Tendo descoberto a verdade por trás da lenda, Dillon agora é um caçador dedicado a perseguir o monstro que acabou com seu mundo.

Abordando o mito do lobisomem de forma pouco explorada, Bunn narra nessa mini um jogo de gato e rato com desdobramentos e inversões de papéis que se intensificam no decorrer da trama. Afinal, Dillon não é o único caçador por aí e o lobo não é o único predador. Já Jeremy Haun é o responsável por todas as cenas de matança explícitas e o faz de forma incontestável, não decepcionando os adeptos da ultraviolência. Lua do Lobo talvez não agrade os fãs mais conservadores de histórias de lobisomem, mas há de se enxergar o mérito dos autores em ousar em cima de conceitos já um tanto batidos. O leque de possibilidades que o desenvolvimento da trama abre pode deixar uma sensação de execução apressada por parte do roteiro, que parece mais preocupado em finalizar a história daqueles personagens do que potencializar os conceitos ali apresentados.Talvez o formato de minissérie em seis edições não tenha sido o ideal, mas Lua do Lobo cumpre bem a missão e nos traz uma boa narrativa sombria e de horror psicológico.

(Ray Jr.)




Compila as edições #1-#6 publicando a minissérie Wolf Moon na íntegra
164 páginas. Capa cartonada.
R$23,90


OS VINGADORES -  VINGADORES INFINITOS

Lembra-se de quando os Illuminati apagaram sua própria existência da memória do Capitão América? Pois o Capitão também se lembra. Os Illuminati acirraram seus esforços para defender a Terra, mas a Sentinela da Liberdade os lembrará do preço de suas ações. E com a sobrevivência de todo o planeta Terra em risco, a Jóia do Tempo ressurge e leva os Vingadores a uma perigosa jornada em direção ao futuro. Os Heróis Mais Poderosos da Terra viajam 50, 500, 5.000 e 50.000 anos no futuro e encaram o legado e as consequências de seus atos. O primeiro Vingador encontra o último, o Mundo de Vingadores desaba, e você não vai acreditar no que vem a seguir. Este volume de 156 páginas reúne as edições 29 a 34 de Avengers, escritas por Jonathan Hickman e ilustradas por Leinil Francis Yu.

Hickman continua magistralmente tocando o barco de ambos os títulos, Avengers e New Avengers rumo à mega saga Guerras Secretas. O roteirista, ao longo desse run, transformou a equipe de heróis em uma máquina de defesa planetária funcionando à perfeição, e talvez tenha sido o roteirista que criou as maiores ameaças para a equipe desde sua criação. Saudades de meros deuses nórdicos da trapaça tentando descarrilar trens e travessuras do tipo, agora os heróis mais poderosos da Terra precisam evitar colisões de Terras paralelas, ameaças transtemporais e outras coisinhas singelas.

Momentos de tensão cinematográfica hiperbólica à la Mark Millar pontuam os capítulos deste encadernado, mas podem curtir sem culpa, pois ao contrário de Millar, Hickman sabe dar desfechos muito superiores aos que Millar costuma entregar. A fase inteira de Hickman mantém um ritmo e uma qualidade fora do normal para quem escreveu uma mensal por quatro anos. As versões futuristas dos vingadores nos saltos temporais cada vez mais longe no futuro são uma mescla insana de H.G. Wells e Isaac Asimov. Ver também o Capitão América fazer contraponto ao moralmente ambíguo Tony Stark aqui vale por dez Guerras Civis, e para quem leu a ainda inacabada S.H.I.E.L.D. (não confundir com Agentes da S.H.I.E.L.D.!), também escrita por Hickman e ilustrada por Dustin Weaver, na última edição deste encadernado estaremos de volta a um lugar familiar, no futuro distante, onde houve um embate entre Howard Stark e Nathaniel Richards, os pais de Reed e Tony, respectivamente, e um certo Nikola Tesla...

Agora, faltam dois encadernados para encerrar, tanto Vingadores quanto Novos vingadores, e na sequência, o final apoteótico de toda essa construção narrativa culminando em Guerras Secretas. Claro que o bordão "A Marvel não tem clássicos!" é apenas uma brincadeira (certo?), e se eu tivesse que elencar algumas HQs da Marvel em uma lista de possíveis clássicos, não esperaria dez anos se passarem para incluir o trabalho de Hickman nesses títulos como um dos clássicos da tal lista...

(Eduardo Cruz)


Compila as edições #29 a #34 da série Avengers.
156 páginas. Capa dura.
R$ 44,00


DESAFIO INFINITO

QUEM PODERÁ ENFRENTAR O ONIPOTENTE THANOS? Na tentativa de atender aos desígnios de sua amada senhora, a Morte, Thanos traça um grandioso estratagema para subjugar as misteriosas entidades cósmicas conhecidas como Anciões e se apoderar das seis Jóias do Infinito, artefatos que detêm o controle sobre todos os aspectos do universo. Ao reuni-las, o Titã Louco torna-se o ser mais poderoso do Universo Marvel. Com tamanho poder em mãos, Thanos extingue metade da vida no universo apenas para agradar sua adorada musa. E isso é só o começo. Se não for detido logo, o insano vilão niilista pode usar sua recém-adquirida onipotência para causar o fim do todo o espaço e o tempo. Uma épica saga cósmica que revolucionou a Casa das Ideias, com roteiros de Jim Starlin (A Morte do Capitão Marvel) e arte de Ron Lim e George Pérez.

Jim Starlin marcou seu nome na história dos Comics e na memória dos leitores com suas sagas cósmicas. Histórias que extrapolavam – e muito – o ambiente urbano onde eram ambientadas a grande maioria dos quadrinhos de super heróis. Seja o projeto autoral Dreadstar, ou mais especificamente a Saga de Thanos (que engloba Desafio Infinito, Guerra Infinita e Cruzada Infinita), Starlin se tornou famoso pela grandiosidade do escopo de suas histórias, onde tudo é maior do que a vida, entidades de poder imensurável se digladiam pelo destino do universo e o inimigo é inimaginavelmente intransponível! Apesar de em vários momentos soar datada, o que é perfeitamente compreensível, dado o ano em que foi publicada (1990), esta HQ, que serviu de base para o filme Vingadores – Guerra Infinita ainda tem seus momentos de tensão e adrenalina, e reler esta HQ após mais de 20 anos foi como voltar no tempo. Recomendado para marvetes em geral, velhotes que acompanharam a saga da Jóias do Infinito ainda nos formatinhos da editora Abril, e cinéfilos fãs do universo cinematográfico Marvel. O material que foi inspiração para o melhor filme de 2018 até agora. Sem mais.

(Eduardo Cruz)


Compila as mini séries The Thanos Quest #1-#2 e Infinity Gauntlet #1-#6.
372 páginas. Capa dura.
R$ 113,00 (Ô Panini, minha carteira não é infinita, poha!!!)



NOVOS VINGADORES: UM MUNDO PERFEITO

A BATALHA QUE VOCÊ NÃO SABIA QUE QUERIA VER — ATÉ AGORA. Em toda a Criação, apenas uma Terra triunfou sobre cada Incursão que a ameaçou: a dos heróis da Grande Sociedade. E adivinhe qual Terra está em rota de colisão com a nossa? Agora, os Novos Vingadores precisam encarar essa poderosa superequipe — e apenas uma delas vai sobreviver. Até que ponto o Dr. Estranho está disposto a ir para proteger o Universo Marvel? Qual Vingador terá coragem de apertar o botão que destruirá um mundo? e quais serão as consequências? Enquanto os Illuminati são destroçados pelo peso de terem explodido um planeta, acompanhe os pretensos salvadores do mundo em seus últimos dias na Terra. Este volume de 148 páginas reúne as edições 18 a 23 de New Avengers. Escrito por Jonathan Hickman e ilustrado por Valerio Schiti e Kev Walker.

Eles mentiram, enganaram, acobertaram sujeiras e mataram, tudo para continuarem seu trabalho de super heróis. Continuação direta do encadernado Vingadores: Vingadores Infinitos, a trama que Hickman tem elaborado cuidadosamente ao longo dos dois títulos, vai ficando cada vez mais eletrizante e complexa. Os Illuminati, o grupo secreto composto pelas maiores mentes do universo Marvel, conspira para salvar a Terra das tais incursões, evento cósmico onde uma das Terras precisa ser destruída para que ambos os universos em interseção não sejam destruídos. Mas o peso moral de tal decisão pode estilhaçar os heróis, tanto como equipe quanto internamente. Quem quer ser responsável pela morte de um planeta inteiro, mesmo que para salvar dois universos? Quem quer matar outra equipe de super heróis para salvar seu próprio planeta? Quem quer vender a alma a demônios para conquistar mais poder e continuar a fazer o bem??? Uma situação de merda, e Tony Stark, Namor, T’Challa, Stephen Strange, Hank McCoy, Raio Negro, Bruce Banner e Reed Richards vão sofrer, e MUITO, com o peso e as consequências de suas decisões. Aliás, por que são eles a tomar essas decisões grandiosas, e somente eles? O conclave proto-fascistinha da Marvel segue fazendo monstruosidades na tentativa de continuarem a desempenhar seu ofício super heróico, e a avalanche de problemas parece ainda estar longe de acabar... Lembram de Thanos???? Pois é, ele voltou...

Só lembrando: Faltam apenas mais dois encadernados para encerrar Novos Vingadores... estamos nos aproximando do megaevento Guerras Secretas...

(Eduardo Cruz)


Compila as edições #18 a #23 da série New Avengers.
148 páginas. Capa dura.
R$ 42,00



MONSTRO DO PÂNTANO - RAÍZES DO MAL VOLUME 5

Nesse penúltimo volume do run de Mark Millar a maioria das perguntas que rolavam desde o primeiro encadernado começam a ser respondidas: Quem está por trás da tal invasão interdimensional ao nosso mundo? Por quê os parlamentos elementais estão agregando seus poderes em um único campeão? Qual o objetivo na criação de um multi-elemental? O Monstro do Pântano consegue perceber que está sendo usado como um peão em um grande jogo de xadrez, e parece que, seja agindo ou se recusando a cooperar, ele vai ser o perdedor nos dois desfechos. Para complicar Abby retorna ao pântano, mas a acolhida não é o que ela esperava. O Elemental, agora com os poderes do verde, das águas, das rochas e do ar, começa a ter sua percepção alterada, se equiparando a um deus, e por conta disso, obviamente, perdendo cada vez mais a sua consciência humana... Como isso vai acabar? falta só mais um volume pra descobrirmos.

Mark Millar nunca foi um roteirista genial e completo, mas nessa época, e em particular em Monstro do Pântano, uma palavra o define bem: Esforçado. O Escocês, na época um novato, realmente quer desenvolver uma história que faça justiça ao universo do personagem, e mesmo não sendo claramente a melhor fase de Monstro do Pântano, também não é a pior que o personagem já teve. Apesar dos buracos no caminho (e no roteiro), o final para o qual esse run se encaminha é tão grandioso quanto o de Homem-Animal de Jamie Delano (No encadernado Praga Vermelha, lembram?), eu diria até maior. As capas são do lendário John Totleben. Dispensam elogios. A arte continua por conta de Phil Hester.

A surpresa aqui é a última história do encadernado, "Chester Williams: Policial Americano", que parece uma história perdida do arco "Rio Acima", dos volumes anteriores, que tratava de realidades alternativas. Aqui, vemos o hippie Chester Williams, amigo do Elemental, chutando toda a sua ideologia de paz, amor e consciência ambiental para se tornar um conservador extremista, autoritário, intolerante, machista, opressor e... bem, vocês entenderam. A antítese do personagem.

Millar fez essa história encharcada de sarcasmo em cada balão como uma forma de protesto: A edição saiu em ano eleitoral e essa foi a forma bem humorada e ácida do editorial da Vertigo pedir a seus leitores consciência na hora de votar. Para completar o deboche, o artista convidado é o lendário coroinha boa-praça Curt Swan, a lenda da era de prata, artista clássico de Superman! Sarcasmo à moda Vertigo é assim.

Falem o que quiserem do Millar, pelo menos o rapaz ainda tinha o coração no lugar certo. A história caricaturiza o modo de pensar da extrema direita na época e nos deixa meio tristes em ver que, em pleno 2018, ainda existem pessoas bradando as mesmas besteiras que esse anti-Chester vomita nas 24 páginas da HQ... É, como a gente tanto lê em Homem-Animal e Monstro do Pântano: "A humanidade precisa evoluir urgentemente...".

(Eduardo Cruz)


Compila as edições #161 a #165 de Swamp Thing.
140 páginas. Capa cartonada.
R$ 21,90.



THANOS VOLUME 1 - THANOS RETORNA

Situado após a saga Guerras Secretas dentro da rocambolesca cronologia da Marvel atual, essa série em 18 edições mostra Thanos, o Titã Louco, em uma nova busca. Mas, dessa vez não é para recuperar poder e território: Thanos está morrendo. Agora desesperado, desprovido do poder infinito que portou no passado e com os dias contados, lembramos o porquê deste ser o vilão mais perigoso e um dos mais poderosos da Marvel. Jeff Lemire escreveu uma história que respeita o cânone estabelecido por Jim Starlin sem ignorar os eventos que Jonathan Hickman inseriu na cronologia da Marvel! Então sim, meus flocos de neve: Mais uma vez, temos um hype real em mãos! Existe história E arte aqui!

Você que reclamou da personalidade do vilão na adaptação feita no filme Guerra Infinita, vai gostar de ver que Jeff Lemire escreve um Thanos do jeito que o povo gosta: Ardiloso, amoral, violento, implacável, um vilão abjeto que não respeita nem seu próprio pai e passa por cima de todos para conquistar seu objetivo. O que Thanos não imagina é que existe um grupo de desafetos (o que no caso de Thanos faz a lista ser beeeeeeem longa...) tramando a derrocada do Titã...

Com participações especiais de muitos personagens deste universo cósmico da Marvel como a Guarda Shi'ar, Terrax, Força Fênix e muitos outros, essa série consegue explorar o lado cósmico da Marvel sem ser repetitivo, com muitas reviravoltas, destruição generalizada da porra toda, e a arte de Mike Deodato Jr., que, em nossa humilde opinião, está MELHOR DO QUE NUNCA! E isso vindo de alguém que nunca curtiu muito a arte dele é torcer o braço à beça rs. Mais dois encadernados por vir, e pelo que pesquisamos sobre a série aqui na Zona, apesar da mudança de equipe criativa mais pra frente, parece que a série vai bem até a última edição. Botamos fé e vamos acompanhando até o terceiro e último encadernado!

(Eduardo Cruz)


Compila as edições #1 a #6 de Thanos.
140 páginas. Capa cartonada.
R$ 21,90.



A GIGANTESCA BARBA DO MAL

Publicada em outubro de 2016 pela editora Nemo, a premiada Graphic Novel de estréia do cartunista e ilustrador Stephen Collins, A Gigantesca Barba do Mal é uma fábula moderna plena.

Dave, o protagonista, vive em uma ilha chamada Aqui, onde mantém uma rotina ordeira que lhe permite pôr em prática todo seu senso de organização. A vida para todos em Aqui corre da mesma forma e a ilha é um lugar perfeito, com ruas assentadas, casas padronizadas e pessoas impecavelmente bem alinhadas.

Dave também possui um bom emprego, localizado no centro de Aqui, onde se entrega a segurança que os números, gráficos e padrões lhe trazem, impossibilitando qualquer pensamento sobre Lá. Para ele ou qualquer outra pessoa de Aqui, não havia como escapar daquilo, todo mundo havia crescido ouvindo as histórias. Na verdade, Lá era um lugar onde ninguém nunca tinha ido, sabia-se apenas que ficava do outro lado do mar. Para os habitantes de Aqui, Lá era um lugar mau, caótico e desordeiro que ameaçava todos os seus perfeitos padrões de vida.

Num fatídico dia, porém, Dave se vê com um enorme problema: Sua barba começa a crescer incessantemente, desafiando qualquer lógica. Logo ela se torna uma questão de segurança pública, que mudará a sociedade de Aqui e o próprio Dave de maneira irreversível!

A Gigantesca Barba do Mal é um conto que nos convida a refletir sobre várias questões humanas contemporâneas de nível pessoal e coletivo, como solidão, conformismo, autoaceitação, medo de mudanças ou do que é diferente, alienação, entre outros.
Portanto, esteja sempre atento ao que há embaixo da pele das coisas e lembre-se que uma pitada de caos pode deixar tudo mais organizado. 
(Ray Jr.)

Editora Nemo
Capa cartonada, 240 págs
R$39,80
Também disponível no catálogo do @socialcomicsbr.
 

  
OS FLINTSTONES -  VOLUME 1

Provavelmente um dos títulos mais subestimados na época do anúncio da linha Hanna-Barbera Beyond da DC Comics, que se trata da reinvenção dos famosos personagens do estúdio de animação, Os Flintstones foi uma grata surpresa para boa parte dos leitores. Poucos meses após seu lançamento pela Panini em dezembro do ano passado, criou-se um hype acerca desse primeiro volume e nós resolvemos conferir o motivo do entusiasmo da galera.

Incumbidos de reimaginar e modernizar a tão conhecida e amada família pré-histórica, o roteirista Mark Russel (Prez) e o desenhista Steve Pugh (Santo dos Assassinos) nos apresentam a próspera cidade de Bedrock, onde Fred e Barney residem com suas famílias e trabalham na Pedreira do Pedregulho, empreendimento mais importante da cidade.
O progresso chegou e os homo sapiens precisam se adaptar a novas convenções sociais. Pela ótica de Fred, um veterano das guerras paleolíticas e avesso a novas tecnologias, acompanhamos as situações do dia a dia dessa família moderna da idade da pedra.

Durante as histórias, Mark Russel aborda temas como sociedade de consumo e espetáculo, relações abusivas no ambiente de trabalho, banalização das artes, dificuldades de reintegração social de ex-combatentes de guerra, manipulação de massas através da mídia e religião, sempre em tom de sátira e traçando paralelos com a sociedade atual.

Algumas edições, sofrem de uma certa falta de ritmo, com situações soltas e caricatas que geram diálogos pouco espontâneos, fazendo-os parecer saídos de um livro de autoajuda.
Em outras porém, o acerto na execução contribui pra uma leitura fluida e divertida, como na edição do embate entre os movimentos contra e a favor da monogamia e institucionalização do casamento. No geral, Os Flintstones é um gibi divertido, com ótimas idéias que se destacam quando bem utilizadas e arte soberba do sempre competente Steve Pugh. A mensagem aqui é clara: Não acredite no hype.

(Ray Jr.)


Capa cartonada, reúne as edições The Flintstones #1 a #6
168 páginas
R$24,90



DEMOLIDOR - DECÁLOGO


O encadernado prossegue com o run de Brian Michael Bendis frente ao título do Demolidor. Matt Murdock derrubou o Rei do Crime e se tornou o novo Rei da Cozinha do Inferno. Esse 3º volume compreende três arcos dentro desse período:

  • A Viúva: Natasha Romanova, a Viúva Negra, está de volta à Cozinha do Inferno, supostamente para auxiliar Murdock. Mas existem outros motivos obscuros... Participação especial: Nick Fury e Os Vingadores. Um arco encharcado de ação, envolvendo uma boa trama de espionagem e evocando o passado que o Demolidor e a Viúva já tiveram juntos.
  • A Era de Ouro: O antigo Rei do Crime, predecessor de Wilson Fisk, foi liberado da prisão, e está sedento por vingança contra o Demolidor, que na época ainda usava o uniforme amarelo! Um dos retcons mais bem executados que já vi, Bendis brinca com a cronologia do personagem e encaixa elementos para que a sua história desça redondo. E desce redondo! A antiga rixa Demolidor/Gladiador é reacesa aqui e rende mais um excelente arco!
  • Decálogo: Uma história com uma pegada mais “Marvels” e “Gotham Central”, com pessoas comuns que moram na Cozinha do Inferno narrando eventos de outras histórias do Demolidor pelo ponto de vista delas, e ainda com uma pitada de sobrenatural.

Brian Michael Bendis pode ser considerado raso e até chato em muitos de seus trabalhos, mas sua passagem à frente do título do Demolidor é irretocável! Cheia de ação, momentos de tensão e um bom ritmos, e contando com o competentíssimo Alex Maleev na arte, Essa fase é icônica, e só fica atrás da fase Miller, que definiu o personagem e o alçou ao status de herói de primeiro escalão tal como o conhecemos hoje. Em breve a Panini vai lançar um volume que conclui a fase Bendis e inicia a fase de Ed Brubaker, que também é bastante elogiada. Aguardemos então...



(Eduardo Cruz)


Compila as edições #61 a #75 da série Daredevil.
396 páginas. Capa dura.
R$ 95,00
 


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quinta-feira, 24 de maio de 2018

O LIVRO DA LEI + ALEISTER CROWLEY, a biografia quadrinizada + O Legado da Besta na Cultura Pop.








Por EDUARDO CRUZ



"O tolo bebe, e se embebeda; o covarde não bebe. O homem sábio, bravo e livre bebe, e dá glórias ao Mais Alto Deus."



Edward Alexander Crowley, ou Aleister Crowley, como era mais conhecido fez de (quase) tudo: Enxadrista, alpinista, dramaturgo, poeta, ocultista nato, viajante andarilho, divulgador da Ioga no ocidente, estudioso da Cabala, viciado em cocaína e heroína, suposto espião a serviço da Coroa Britânica, taxado pela imprensa da época como o homem mais depravado de sua época, fundador da filosofia da Thelema, mago invocador de demônios e espíritos, arauto do Novo Aeon, um mero charlatão dado a escândalos... Digam o que disserem do Crowley, aí está um cara que certamente vivenciou a vida ao máximo! "Todo homem e toda mulher é uma estrela", ele afirmava em seus tratados, e tentou atingir o potencial máximo que lhe foi permitido, seja para o bem ou para o mal. Embora eu suspeite que conceitos como "Bem" e "Mal" não se apliquem a Crowley. Sua concepção de prática mágica, ou “Magick”, como “a ciência e arte de causar mudanças de acordo com a vontade” é estudada por iniciantes e iniciados e são incontáveis as ordens místicas que utilizam seus conceitos e postulados como base. Além disso, sua esfera de influência atinge lugares inusitados até os dias de hoje: Considerado uma celebridade antes mesmo do termo existir, o mago é citado, referenciado e reverenciado dentro da cultura de massas, seja na música, nas histórias em quadrinhos, filmes, livros... Isso sim é poder, bitches!!!


Crowley nasceu no seio de uma família cristã e sempre teve problemas com uma criação nesses padrões. Era obrigado a ler um capítulo da bíblia por dia. Perdeu o pai, dono de uma cervejaria, aos 11 anos de idade e tinha uma péssima relação com a mãe, que chegava ao cúmulo de chamá-lo de "A Besta", alcunha que acabou perdurando pelo resto de sua vida. A característica mais marcante de Crowley sempre foi bater de frente com os valores morais e religiosos do seu tempo, sendo um proto-libertarianista, defendendo a liberdade sexual, pessoal e espiritual, e a sua regra de "Faz o que tu queres" posteriormente se tornaria o mantra da filosofia Thelêmica. Em 1897, impelido por aquelas questões maiores da existência humana, Crowley abandona Cambridge para se dedicar ao ocultismo. No ano seguinte, ingressa na Ordem da Aurora Dourada, onde, após iniciado, aprende os fundamentos da magia ritualística e como utilizar drogas em rituais. Logo, uma dissidência o leva a entrar em choque com o mestre da ordem, o ocultista S. L. MacGregor Mathers, considerado muito autoritário por alguns membros. Após algumas tentativas de conciliação, o choque de egos entre Crowley e Mathers o leva a abandonar a Aurora Dourada em definitivo.


Encruzilhadas, reais ou simbólicas, são um dos elementos essenciais para os praticantes de magia. E é aqui que Crowley atinge a sua encruzilhada: Em 1904, um dos momentos chave de sua vida, em uma viagem de lua de mel ao Cairo acompanhado de sua esposa, Rose Edith Kelly, ele entrou em contato com uma entidade chamada Aiwass, que afirmava ser o porta voz de Hórus. Durante três dias, entre 8 e 10 de abril de 1904, entre o meio-dia e as 13 horas, Aiwass ditou para Crowley o que viria a ser conhecido como o Liber Al Vel Legis, ou O Livro da Lei. Crowley relatou que a voz vinha por sobre seu ombro esquerdo, como se Aiwass estivesse posicionado em um dos cantos da sala, com um timbre firme e expressivo, mas ao mesmo tempo tenro.



Crowley com sua primeira esposa, Rose Edith Kelly, e sua filha
Nuit Ma Ahathoor Hecate Sappho Jezebel Lilith Crowley
O Hexagrama Unicursal, principal símbolo da Thelema

Mas o que vem a ser o Livro da Lei? dividido em três partes, a primeira ditada por Nuit, a deusa egípcia do céu noturno, a segunda por Hadit, autodenominado o complemento de Nuit, sua noiva, e a terceira por Ra-Hoor-Khuit, a Criança Coroada e Conquistadora, o livro seria um poderoso grimório, que fala sobre a vindoura Era de Aquário, o Aeon de Hórus, uma era que supostamente se iniciaria com a queda das religiões patriarcais e com uma compreensão maior acerca do (auto)conhecimento espiritual e autogovernança do indivíduo. Seu conteúdo é extremamente críptico, enigmático, deixando abertura para as mais diversas interpretações. Isto é plenamente intencional: O Liber Al Vel Legis é para ser lido individualmente, e a apreensão de seu conteúdo, a forma como ele será compreendido vai depender exclusivamente das percepções e vivências pessoais de cada um que o ler. É um mesmo livro que se torna tantos livros quanto existem leitores para ele. Os Thelemitas não encorajam textos explicativos ou assembléias e reuniões para se interpretar passagens do mesmo, a fim de evitar a criação de dogmas em cima dele, um vício de todas as grandes religiões. Assim sendo, não há interpretação incorreta do Livro da Lei e seu "sacramento", na falta de um termo melhor, se dá na esfera pessoal de cada um. O único autorizado a fazer alguns comentários a respeito do livro foi o próprio Crowley, que utilizou a Cabala como uma espécie de pedra de Roseta para interpretar os versos crípticos. 




No final do ano passado, a editora Chave lançou uma belíssima edição do Liber Al Vel Legis, que traz um ótimo prefácio, rico em informações complementares, páginas de reproduções dos manuscritos originais de Crowley, os comentários dele quanto ao Liber Al Vel Legis e um poema de Crowley traduzido por Fernando Pessoa, um notório entusiasta da obra do magista. Coisa fina. O livro, que possuía uma edição anterior rara e esgotada no Brasil há muitos anos, é uma segunda chance para aqueles, que como eu, andavam loucos atrás de um exemplar físico. A edição é incontestavelmente produzida com muita atenção a cada detalhe, desde a capa até a tradução. Além disso, é uma edição bilíngue Português/inglês.


"Observem por si mesmos a deterioração do sentido de pecado, o crescimento da inocência e da irresponsabilidade, as estranhas modificações do instinto reprodutivo com a tendência de transformar-se em bissexual ou epiceno, a confiança infantil no progresso combinada com medo apavorante da catástrofe, contra a qual ainda pouco desejamos tomar precauções.

Considere o afloramento das ditaduras, apenas possível quando o crescimento moral está em seus estágios iniciais, e a prevalência de cultos infantis como o Comunismo, o Fascismo, o Pacifismo, dos Modismos da Saúde do Ocultismo em quase todas as suas formas, religiões sentimentalizadas ao ponto da extinção na prática.

Considere a popularidade do cinema, do rádio, da loteria esportiva e das competições de adivinhação, todos instrumentos para confortar crianças intratáveis, sem semente de propósito neles.

Considere o esporte, os entusiasmos e raivas infantis que ele desperta, nações inteiras perturbadas por disputas entre meninos.

Considere a guerra, as atrocidades que acontecem diariamente e não nos comovem e pouco nos preocupam.

Somos crianças.

Como este novo Éon de Hórus se desenvolverá, como a Criança irá crescer, isso cabe a nós determinar (...)"
O Livro da Lei, página 37 


 


Ainda relacionado a Crowley, a Chave lançou pouco tempo depois, no início desse ano, em parceria com a editora Veneta, uma biografia em quadrinhos do mago inglês. A HQ, intitulada simplesmente Aleister Crowley, tem um projeto gráfico similar à edição do Liber Al, e mostra a história de Crowley desde o nascimento em sua família rica família de fanáticos religiosos, a sofrida infância e adolescência nas escolas de elite, a descoberta da magia e a vida de escândalos que o transformaram em uma das maiores celebridades de seu tempo e o alvo favorito dos tabloides ingleses que o definiram como “O homem mais perverso do mundo”. De autoria de Martin Hayes e RH Stewart, a HQ lembra muito Do Inferno, de Alan Moore, mais precisamente nos remete ao artista de Do Inferno, Eddie Campbell, uma arte em preto e branco "suja", hachurada, de linhas fortes. Uma ressalva que eu tenho com a biografia quadrinizada é pelo fato de Crowley, que teve uma vida tão diversa, viajou muito, exerceu incontáveis atividades e experimentos místicos ter tudo isso resumido a cento e poucas páginas. É o resumo do resumo. O atenuante aqui é que metade do livro é de notas explicativas, mais uma similaridade com Do Inferno. As notas explicativas maximizam o aproveitamento da leitura e contextualizam muitos fatos que poderiam passar em branco se só lêssemos a HQ.








"A evolução promove suas mudanças de maneiras antissocialistas. O homem "anormal" que prevê as tendências do tempo e adapta as circunstâncias de modo inteligente é motivo de riso, é perseguido, e frequentemente destruído pelo rebanho; mas ele e seus herdeiros, quando a crise vem, são sobreviventes."

O Livro da Lei, página 39



UMA BESTA POP

Por fim, Crowley morreu em 1947 (mesmo ano da queda do objeto voador em Roswell. Coincidência??? Desculpe, não trabalhamos com coincidências aqui hehehehe), pobre e quase sem seguidores. Mas a sua grande obra já havia sido concluída: A maneira como ele praticava Magia inspirou muitos outros estudantes e diletantes e possibilitou a formação do neopaganismo como o conhecemos hoje, além de deixar profundas marcas na cultura. Para uma figura tão peculiar, Aleister Crowley se tornou uma presença perene e bem influente na cultura pop. Não dá pra ler uma dúzia de livros, HQs ou filmes, ou mesmo escutar músicas sem esbarrar em uma menção direta ou indireta, homenagem ou referência ao Crowley real, tamanho é o fascínio que a Besta exerce em quem estuda sua vida e obra. Abaixo temos alguns exemplos bem famosos, e outros nem tanto. Essas referências pinçadas aqui não são sequer a ponta do iceberg, e uma pesquisa mais extensa faria o post ficar umas cinco vezes maior do que é, então vamos parar por aqui rs. “A influência de Crowley na cultura moderna é tão disseminada quanto a de Freud ou Jung”, diz o jornal inglês The Guardian, e os exemplos abaixo comprovam a influência da Besta dentro do panorama das artes.

Crowley na montagem da capa do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.


HISTÓRIAS EM QUADRINHOS:

Por ter sido vilipendiado por tantos anos pela imprensa de seu país natal, Crowley acabou se tornando quase uma figura folclórica. Uma espécie de Toninho do Diabo, mas com o charme britânico que o nosso representante do Cramulhão não possui. Por isso, nada mais natural do que a profusão de citações a Crowley se concentrar com mais frequência em obras da cultura popular britânica. A Invasão Britânica, que nos anos 80 apresentou ao mundo uma nova geração de quadrinhistas do Reino Unido, quase pode ser chamada também de Invasão Crowleyana ;>). 

“No mundo das ciências ocultas do século XX, Crowley é uma espécie de Einstein”   
Alan Moore

  • Sandman - Logo primeira história do Sandman de Neil Gaiman, o personagem-título da série, Sonho, é capturado por engano em um ritual desastroso do mago Roderick Burgess, criado à imagem de Crowley (de quem, na HQ, Burgess é rival). 



  • Belas Maldições - Ainda de autoria de Gaiman, no divertidíssimo Belas Maldições, livro escrito a quatro mãos com Terry Pratchett, Crowley é o nome de um dos protagonistas. O demônio se junta ao anjo Aziraphale na tentativa de impedir o fim dos tempos.

David Tennant e Michael Sheen caracterizados como Crowley e Aziraphale na vindoura adaptação de Belas Maldições

  • John Constantine: Hellblazer - Crowley aparece também em Hellblazer, mais precisamente na fase de Paul Jenkins. No arco Massa Crítica, o mago está há anos vivendo em um local ermo, à beira de um rio, tendo um espaço de deslocamento limitadíssimo, pois só pode andar em cima de pentagramas de proteção traçados no chão para protegê-lo de ser arrastado para o inferno pelo Primeiro dos Caídos. John, é claro, acaba com a pouca alegria que ainda restava ao coitado...




  • Requiem - Cavaleiro Vampiro - Na HQ escrita pelo inglês Pat Mills e ilustrada por Olivier Ledroit (que já resenhamos AQUI!), em uma espécie de pós-vida bizarro e maligno, Crowley é o responsável pelo Banco de Sangue em uma sociedade governada por vampiros, e aparece em toda a sua glória com uma aparência que faz jus à alcunha de A Besta...

Crowley retratado na HQ Requiem - Cavaleiro Vampiro.
Arte por Olivier ledroit


  • Asilo Arkham - Falando de  outro expoente da Invasão Crowleyana, digo, Britânica, não posso esquecer de mencionar Grant Morrison, que assume que boa parte de sua obra tem influência nos escritos de Crowley e o considera o Picasso da Magia. Em sua graphic novel Asilo Arkham, Crowley é mencionado explicitamente. Na história, Amadeus Arkham, fundador do manicômio mais famoso de Gotham City, se encontra com Carl Gustav Jung e Aleister Crowley em suas viagens quando jovem. Além disso vemos o Tarô de Toth, concebido pelo próprio Crowley, sendo manuseado por um personagem. Morrison também escreveu uma peça de teatro sobre Crowley em 1990, intitulada Depravity.

Arte por Dave McKean

 
  • A Liga Extraordinária - Século - E não poderíamos deixar de linkar Alan Moore, a ponta de lança da Invasão Britânica, bruxo de Northampton a Aleister Crowley! Em Século, história da Liga Extraordinária, o mago negro Oliver Haddo, personagem criado pelo escritor W. Somerset Maugham para o livro The Magician, é baseado em Aleister Crowley e reutilizado por Moore na HQ, dando trabalho para Mina Harker e seus companheiros por um século inteiro!


Arte por Kevin O'Neill


Arte por Kevin O'Neill


  • Do Inferno - Moore também cita Crowley em Do Inferno, HQ semi fictícia que discorre a respeito dos crimes de Jack, O Estripador. O garoto juvenil Aleister dá as caras como um menino bem insolente em uma rápida aparição.


Arte por Eddie Campbell


  • Promethea - Nessa série, que um crítico já definiu como “um gibi da Mulher-Maravilha escrito por Aleister Crowley”, Aleister aparece em alguns momentos, entre eles em uma edição dedicada ao Tarô, onde Crowley conta, no rodapé das páginas, uma piada que segundo Moore, sintetiza o que é a Magia. Mais à frente, enquanto a protagonista explora a Árvore da Vida na Cabala, Crowley aparece transfigurado como mulher, em uma esfera metafísica superior.


Arte por J. H. Williams III


  • Herói Nenhum - Nessa HQ de Warren Ellis e Juan Jose Ryp, há uma breve menção à Crowley e sua Abadia de Thelema, em uma de minhas leituras recentes, enquanto fazia esse post. Deve ser só coincidência...



CINEMA:

  • The Devil Rides Out -  Esse livro de Dennis Wheatley foi adaptado para o cinema em 1968. As Bodas de Satã, título nacional, é uma produção britânica, dirigida por Terence Fisher e roteirizado por Richard Matheson (autor de Eu sou A Lenda, que já resenhamos AQUI), tem Christopher "Drácula Saruman" Lee como o "mocinho" e o ator Charles Gray no papel de Mocata, um perverso aristocrata mestre em magia negra, o Crowley da vez...

 As Bodas de Satã (1968). Completo e legendado.

  • La Herencia Valdemar - Esse filme espanhol de 2010, além de brincar com os Mythos Lovecraftianos, tem uma participação muito especial: Aleister Crowley é retratado no filme como um mago embusteiro que executa um ritual que acaba dando muito, muito errado... Tão errado que no final o próprio Cthulhu aparece!


  • Perdurabo (Where Is Aleister Crowley?) - Esse média metragem escrito e dirigido por Carlos Atanes se passa na Abadia de Thelema, na Sicília, durante o ano de 1939.



MÚSICA:

  • Led Zeppelin - O guitarrista Jimmy Page era aficionado pela obra de Crowley, a ponto de o vinil do álbum Led Zeppelin III trazer inscrito "Faz o que tu queres". Além disso, Page comprou uma mansão que já pertenceu a Crowley e onde gravaram algumas cenas do filme-concerto The Song Remains The Same.




  • Ozzy Osbourne - Mr. Crowley - A letra diz tudo. A homenagem do Príncipe das Trevas Ozzy à Besta Crowley. Coisa Linda. até rolou uma lagriminha de sangue aqui...



  • David Bowie - Quicksand - O Camaleão também se rendeu à Besta e canta nos versos iniciais: "I'm closer to the Golden Dawn...". Mais direto, impossível...



  • Marilyn Manson - Holly Wood (In The Shadow Of The Valley Of Death) - O quarto álbum de Manson tem o mesmo teor de qualquer álbum de sua carreira: O artista está sempre atacando a hipocrisia da sociedade em que vive, criticando a idolatria às armas, o culto à violência, a cultura do medo, e os demais perigos do conservadorismo extremo. Tio Crowley ficaria orgulhoso, mas piraria mesmo é com as fotos do encarte deste álbum, onde Manson e banda encenam as cartas do tarô, uma das obsessões de Crowley, que chegou a desenvolver seu próprio tarô.



  • Klaxons - Magick - O título dispensa explicações. O primeiro álbum dos Klaxons é recheado de temas de ficção científica hard e um pouco de Thelema também. É, eu sei que eu já recomendei os Klaxons no post de The Filth, que é uma HQ de ficção científica insana do Morrison. Mas não foi o Arthur C. Clarke quem disse que "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia"? Touché!





  • Def FX - (I'll Be Your) Majick - Essa banda australiana é cheia de diversas influências, que vão do eletrônico noventista a guitarras de metal, passando por vocais de Riot Grrls dos anos 90, carregado de psicodelia, rock industrial e... bem, ouçam e tirem suas próprias conclusões sobre esse som anárquico. Apesar da palavra "Majick" estar grafada de forma diferente do termo cunhado por Crowley, não há dúvidas quanto à referência, concordam?



E, claro, não posso deixar jamais de citar onde a influência de Aleister Crowley mais se faz sentir na cultura popular brasileira, embora as gerações mais novas não façam idéia disso: As letras das músicas de Raul Seixas! O roqueiro baiano, em parceria com nosso Constantine tapuia, o "mago" Paulo Coelho, não compuseram uma, nem duas canções baseadas na filosofia Thelêmica, mas VÁRIAS! Entre elas, Sociedade Alternativa, Novo Aeon e A Lei.

Sociedade Alternativa

Novo Aeon
Nos quadrinhos, a principal forma narrativa ficcional da contracultura, Crowley começou a aparecer aqui e ali a partir dos anos 1970. Mas a chamada Invasão Britânica, que, nos anos 1980, apresentou ao mundo uma nova geração de quadrinistas do Reino Unido, quase pode ser chamada também de Invasão Crowleyana. O “Sandman” de Neil Gaiman surge nos quadrinhos ao ser capturado por engano em um ritual desastroso do mago Roderick Burgess, criado à imagem de Crowley (de quem, na HQ, é um rival). E em “Belas Maldições”, de Gaiman e Terry Pratchett, Crowley é o nome de um dos protagonistas: o demônio que se junta ao anjo Aziraphale na tentativa de impedir o fim dos tempos.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/estante/trechos/2017/11/30/%E2%80%98O-Livro-da-Lei%E2%80%99-marco-do-ocultismo-e-da-cultura-pop

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A Lei

Excluindo-se o aspecto da Magia, para o benefício dos céticos, Aleister Crowley, para além de qualquer julgamento moralista, seja sob o padrão moral de seu tempo ou dos dias de hoje, estava décadas à frente do tempo em que viveu e personificou o pioneiro em várias atitudes e conceitos que seriam posteriormente associados a diversos movimentos ao longo dos séculos XX e XXI, como a afronta a valores pequeno-burgueses típica do punk; a auto imagem como sendo a própria obra do artista, uma característica de diversos performers contemporâneos; o advento do acesso da Ioga às massas; a liberação sexual, que eclodiu décadas após a morte de Crowley e reverbera até os dias de hoje. Aleister Crowley parece realmente ter sido o precursor de novos valores, de uma maré de mudança pela qual a humanidade vai passar, e que parece estar cada vez mais próxima. Ele bem que nos avisou...




E finalizando, não poderia deixar de citar os teoremas! Dentro da filosofia Thelêmica, foram elaborados certos teoremas para a prática da Magia. Esses teoremas, expostos de forma clara e sucinta, são um dentre as muitas pequenas revoluções que o inglês provocou no ato de se praticar Magia. Que tal experimentá-los? Verdadeiras palavras mágicas. Comentem lá embaixo como foram suas invocações a Glycon, Asmodeu e Choronzon hehehehe... 


TEOREMAS:
1. Todo ato intencional é um Ato Mágico.

2. Todo ato bem sucedido obedeceu ao postulado.

3. Todo fracasso prova que um ou mais dos requisitos do postulado não foram preenchidos.

4. O primeiro requisito para se causar qualquer mudança é preenchido através do entendimento qualitativo e quantitativo das condições.

5. O segundo requisito para se causar qualquer mudança é a habilidade prática de direcionar corretamente as forças necessárias.

6. “Todo homem e toda mulher é uma estrela”.

7. Todo homem e toda mulher têm um curso, dependendo parcialmente de si próprios e parcialmente do ambiente, curso esse que é natural e necessário para cada um. Qualquer pessoa que seja forçada para fora de seu próprio curso, quer através do não entendimento de si própria, ou por meio de oposição externa, entra em conflito com a ordem do universo e, assim, sofre.

8. Um homem cuja vontade consciente esteja em choque com a Verdadeira Vontade está desperdiçando sua força. Ele não pode esperar influenciar o seu ambiente eficientemente.

9. Um homem que esteja realizando a sua Verdadeira Vontade tem a inércia do Universo a lhe assistir.

10. A Natureza é um fenômeno contínuo, apesar de nós não sabermos, em todos os casos, como as coisas são conectadas.

11. A Ciência nos capacita a tomar vantagem da continuidade da Natureza, pela aplicação empírica de certos princípios, cuja interação envolve diferentes ordens de idéias, conectadas entre si de uma maneira além de nossa atual compreensão.

12. O homem é ignorante da natureza de seu próprio ser e poderes. Mesmo a idéia que ele próprio tem sobre suas limitações é baseada na experiência passada, e, em seu progresso, todo passo estende seu império. Não há, portanto, razão alguma para que se assinalem limites teóricos para o que ele possa ser, ou para o que ele possa fazer.

13. Todo homem está mais ou menos ciente de que sua individualidade compreende diversas ordens de existência, mesmo quando ele acredita que seus princípios mais sutis são meramente sintomas de mudanças ocorridas no seu veículo grosseiro. Pode-se assumir que uma ordem similar seja estendida a toda a natureza.

14. O homem é capaz de ser e de usar tudo aquilo que ele percebe, pois tudo o que ele percebe é, de um certo modo, uma parte do seu ser. Ele pode, assim, subjugar todo o Universo do qual ele esteja consciente à sua Vontade individual.

15. Toda força no Universo é capaz de ser transformada em qualquer outro tipo de força, através do uso dos meios adequados. Há, portanto, um suprimento inexaurível de qualquer tipo particular de força de que venhamos precisar.

16. A aplicação de qualquer força afeta todas as ordens de existência que há no objeto ao qual é aplicada, quaisquer dessas ordens sejam diretamente afetadas.

17. Um homem pode aprender a usar qualquer força de modo a servir a qualquer propósito, tirando vantagem dos teoremas acima.

18. Ele pode atrair a si mesmo qualquer força do Universo, tornando-se um receptáculo apropriado a ela, estabelecendo uma conexão com ela e arranjando condições tais que a natureza dela a compila a fluir até ele.

19. O senso do homem acerca de si próprio, como separado de, e oposto a, o Universo, é uma barreira para que ele conduza as correntes universais. Isto o deixa ilhado.

20. O homem somente pode atrair e empregar as forças para as quais ele esteja realmente preparado.

21. Não há limites para o número de relações de qualquer homem com o Universo em essência; pois, tão logo o homem se torne uno com qualquer idéia, os meios de medida deixam de existir. Mas o seu poder para utilizar essa força é limitado por sua força e capacidade mentais, bem como pelas circunstâncias de sua condição humana.

22. Todo indivíduo é essencialmente suficiente para si mesmo. Mas ele é insatisfatório para si mesmo, até que estabeleça a sua relação correta com o Universo.

23. Magia é a Ciência de entender-se a si próprio e suas condições. É a Arte de aplicar este entendimento à ação.

24. Todo homem tem o direito incontestável de ser o que é.

25. Todo homem deve fazer Magia cada vez que ele age, ou mesmo pensa, posto que um pensamento é um ato interno, cuja influência acaba afetando a ação, mesmo que não seja assim naquele momento.

26. Todo homem tem um direito, o direito à autopreservação, a completar-se ao máximo.

27. Todo homem deveria fazer da Magia a chave mestra da sua vida. Deveria aprender suas leis e viver por elas.

28. Todo homem tem o direito de preencher a sua própria vontade sem ter medo de que isto possa vir a interferir com a vontade dos outros; pois se ele estiver em seu próprio lugar, será culpa dos outros, se interferirem com ele.