"Percorrendo a branca imensidão de um eterno e congelante inverno de solidão, corre, de uma ponta à outra da Terra, um trem cujo movimento nunca se encerra...
É o Expresso Perfuraneve, com seus mil e um vagões.
É o último bastião da civilização!"
Ninguém sabe ao certo como começou: se foi por causa da guerra, se foi um acidente, ou um cataclismo natural. De repente, em uma tarde de verão, um vento gelado varreu tudo, e o mundo mergulhou em uma nova era glacial, matando toda a vida na Terra. Os únicos sobreviventes agora residem em um trem, que permanece em movimento perpétuo. E dentro dele, as últimas pessoas da Terra tentam seguir com algum tipo de vida, confinados entre os vagões, mas ainda agarrados a estruturas do velho mundo.
"Neste mundo fechado e dividido tanto os abastados quanto os perdidos têm como horizonte, única e somente, as paredes e limites de vagões e mentes." A sociedade deste trem se divide entre os "Vagões Dourados", onde vive a elite, com poderes e privilégios plenos, os vagões centrais, onde residem cidadãos de uma espécie de classe média, e os vagões do fundo, onde os habitantes vivem à míngua, completamente isolados num gueto, sem comunicação com o restante do trem. Uma divisão social rígida e opressora, e que dispõe de muitos artifícios para que o status quo seja perpetuado, tais como religião, jogos de azar, prostíbulos e vagões de lazer, e em última instância, até mesmo uma força militar! sim, o trem é um microcosmo perfeito de nossa sociedade, e só não vê isso quem não quer, logo nas primeiras páginas da HQ.
Técnicas de controle de massas...
... de uma ponta à outra do espectro comportamental individual.
Essa é uma breve descrição de "O Perfuraneve", uma memorável HQ européia - da França, para ser mais exato - um excelente conto sobre um futuro distópico. E, por se tratar de uma distopia, a Aleph não poderia ficar sem lançar isso por aqui. A editora, já conhecida por seu catálogo recheado de clássicos da literatura de ficção científica compilou as três histórias - "O Perfuraneve", "O Explorador" e "A Travessia" - nesse belíssimo volumão, com um papel LWC de gramatura altíssima. De grandes dimensões (21,5x29cm) e pesando mais de 1kg, essa edição nacional é um livraço, o que me fez demorar a terminar a leitura, já que era impossível abrir no ônibus ou ler na cama, por exemplo. Mas muito bonito e caprichado, brincadeiras à parte.
As três HQs, compiladas em volume único aqui no Brasil
Em "O Perfuraneve", HQ lançada em 1984 (que coincidência, não? rs), acompanhamos Proloff, um habitante dos vagões dos fundos que tenta avançar para a frente do trem. Durante sua jornada vemos um pouco, ainda que de forma apressada, do funcionamento dessa sociedade do trem: como os alimentos são processados/cultivados, a organização religiosa, que substituiu Deus pela Santa Locomotiva, e as fontes de diversão da elite, hedonista e decadente. Lá ele descobre que há um problema com a propulsão da locomotiva. A máquina está perdendo sua velocidade gradualmente. Proloff também descobre o que a elite acha ser a causa do problema e os planos para resolver isso, ambas as conclusões monstruosas.
"Percorrendo a branca imensidão de um eterno e congelante inverno de solidão, corre, de uma ponta à outra da Terra, um trem cujo movimento nunca se encerra."
Nas duas histórias seguintes, "O Explorador" e "A Travessia", produzidas mais de uma década depois da original, devido à morte de Jacques Lob, quem escreve os roteiros é Benjamin LeGrand. Dessa vez a máquina onde se passam as duas histórias não é o Perfuraneve, e sim o Desbrava-gelo, uma locomotiva ainda maior, e que é regida por um conselho de líderes, tendo como integrantes o líder político, o líder religioso, o chefe da segurança, entre outras autoridades. As questões sobre autoritarismo, estratificação social e manipulação continuam, e são até mais bem desenvolvidas. Vemos inclusive uma força de controle que não havia na primeira história: a mídia. Existe uma emissora de tevê, que além de doutrinar, sorteia viagens de realidade virtual, o único escape fugaz das massas para a miséria em que estão enfiadas. A religião é cheia de dogmas, que engessam as pessoas nas posições exatas que o sistema deseja que elas permaneçam. Além disso existem os desbravadores, equipes de trabalhadores que saem do trem com pesados trajes de proteção, para realizarem reparos, exploração e quaisquer outros motivos que a liderança do trem alegue para utilizá-los. Puig Vallès, um desbravador que questionou demais a respeito de uma dessas missões é preso, e a partir daí vemos uma série de desdobramentos que colocarão o delicado equilíbrio social do Desbrava-gelo por um fio!
Escolha seu veneno: a mídia...
... a religião...
... ou o estado totalitário mesmo! Ainda bem que não vivemos nesse trem. Não, pera...
Em 2013 foi lançada uma adaptação da HQ, que só chegou aos cinemas brasileiros mais de um ano depois. Roteirizada e dirigida pelo coreano Joon Ho Bong (mesmo diretor de "O Hospedeiro", o filme mais lucrativo já produzido na Coréia do Sul), "O expresso do amanhã" é o primeiro filme ocidental do diretor. Estrelado por Chris "Capitão América" Evans, mas também com bons nomes como John Hurt (R.I.P.), Ed Harris e Tilda Swinton. Apesar das diferenças em relação à HQ o filme funciona, e foi um dos melhores que eu assisti em 2014. Mesmo com um final diferente, com direito à plot twist e cenas de ação à exaustão, um vício das produções ocidentais atuais, a essência da HQ se faz sentir e a cenografia e caracterização da produção fazem as duas horas do filme valerem muito a pena. Como eu sempre digo pra minha mulher: "Nunca vi um filme coreano realmente ruim" rsrsrs.
"O expresso do amanhã" a.k.a Snowpiercer (2013)
CompReto e dubRado
Pra quem gosta de distopias, tanto a HQ quanto o filme são um prato cheio. Quem aprecia HQs Européias, vai curtir o estilo de Jean-Marc Rochette, que inclusive tem uma evolução da primeira para as outras duas histórias, perceptível não só em seu traço, mas principalmente na fluidez narrativa, no ato de contar a história de um quadro para outro. Além das três HQs, essa edição nacional tem um posfácio do cartunista Jean-Pierre Dionnet, onde ele fala um pouco a respeito da HQ e da adaptação cinematográfica, com imagens de produção da adaptação.
Uma alegoria que mostra o vício da humanidade em repetir os próprios erros, ao criar um microcosmo idêntico ao que foi responsável pela destruição do mundo, "O perfuraneve" começa lento, mas engrena a leitura rapidamente, e à medida que a trama se desenrola, não dá mais pra parar de ler, como uma locomotiva sem freios, até suas páginas finais. Uma história sobre o egoísmo incorrigível do ser humano, e como pessoas inventam hierarquias e castas até em situações limite. E é por isso que eu prefiro os macacos.
Sim, como deu pra ver, é mais um encheção de linguiça do bem. O que quer dizer que não é post, nem resenha, nem nenhuma outra doidice que porventura a gente cozinhe aqui na Zona, mas é sempre algo interessante. O texto da vez é de um amigo pessoal, Anderson Mendes, um maluco do lugar mais louco do país: El Sul Selvagem!!!
Conheci esse carinha sensacional por meio desse texto que publicamos aqui embaixo. O texto, originalmente publicado nas comunidades de HQs da Vertigo pelo facebook, era uma convocação aos amigos leitores de HQs para conhecerem essa obra incrível de Grant Morrison. Instantes depois de ler, não lembro exatamente como, já estava conversando no privado com o Anderson, adicionando ele ao grupo secreto de zap, trocando teorias sobre caos, vida, morte, mitologia Maia, o Escaton, a cabeça de São João Batista, o universo e tudo mais.
A bíblia sagrada! Primeiro mandamento: Amarás Morrison acima de todas as coisas.
Segue então, sem mais enrolação, o texto original, que é capaz de infectar as pessoas e provocar nelas uma vontade incontrolável de ler (ou reler!) essa série fantástica!
"Knock, knock. Acorde!
Feche os olhos por um momento e imagine um mundo cheio de fronteiras, paredes, barras, tijolos, bloqueio, linhas imaginárias que nos separam. Necessidade de aceitação, de adequação, de ocupação, de seguir os passos de alguém. Falsa liberdade. Opressão. Controle. Falsas opções de escolha. Já escolheram por você.
Abra os olhos. Você está nele. E eles estão por todo lugar.
Quem são eles? Eles são o governo. A igreja. O exército. Os publicitários. Os juízes. Os policiais. As leis. Os tabus. O CEO da sua marca favorita. Eles são aqueles que tornam seus sonhos inviáveis, sufocam seus instintos e te fazem trabalhar em qualquer merda pra comprar a merda deles. Aqueles que que ditam a regra do mundo há muito tempo e estão por todo lado. Eles são os responsáveis pela criação vírus cidade que tomou conta do planeta. E cada um de nós é uma reprodução perversa do plano deles. Nós vivemos de acordo com seu roteiro.
Agora feche os olhos mais uma vez.
Imagine um mundo sem limites, fronteiras ou linhas imaginárias que nos separam. Sem necessidade de se adequar, de querer ser igual a todos. Um mundo sem opressão, sem controle nem manipulação. Um lugar onde coisas impossíveis e inomináveis têm nome e são possíveis pois não somos limitados ao alfabeto deles. Um lugar onde somos mais do que carne. Mais do que nosso emprego. Mais do que nossas roupas. Mais do que nosso carro. Um mundo onde somos invisíveis ao sistema. Um mundo onde não existe sistema. Um mundo livre de imposição de ideias e ideologias. Anarquia total. Sua utopia pessoal.
Abra os olhos. Você não está nele. E só porque ELES não querem.
Os Invisíveis é uma força libertadora que possuí várias células independente que estão lá fora, neste momento, lutando pela sua liberdade. Lutando para tornar o mundo o lugar descrito logo acima. Lutando pela sua alma. Não só com tiros, socos e explosões. Eles estão meditando, viajando entre dimensões, indo ao passado, ao futuro, a lugar nenhum. Estão fazendo rituais em quartos de hotéis, trepando, lidando com conceitos impensáveis, espalhando sua palavra, salvando o Messias da sarjeta. Libertando um a um.
A luta, infelizmente, parece perdida. Os Arcontes, deuses-alienígenas-extra-dimensionais, querem nosso mundo. E seu objetivo já está quase finalizado. A humanidade já está escravizada. Estamos apenas esperando nosso derradeiro fim: sermos presos e consumidos em um inferno que já foi nosso mundo.
Mas ainda há esperança! Ou será que não?
Nossas melhores apostas estão em um grupo de pessoas poucos comuns e com habilidades bastante improváveis. Temos King Mob, um ex-escritor bem relacionado especialista em artes marciais, tiros e poderes psíquicos, Ragged Robin; uma mulher adulta que afirma ter oito anos de idade que joga tarô, Lord Fanny; uma glamourosa travesti do Rio de Janeiro com poderes xamânicos; Boy, apesar do nome, uma ex-policial de Nova York especialista em combate corpo a corpo; e o mais novo integrante do grupo, Jack Frost; um garoto rebelde de Liverpool a quem dizem ter o potencial para ser o próximo “Buda”.
Quer saber mais sobre eles? A verdade sobre todos e absolutamente tudo?
Leia Os Invisíveis. É uma das obras mais singulares de todas as mídias. Te apresenta inúmeros conceitos, pensamentos e teorias que talvez você mesmo já deve ter pensando ou visto em outro lugar. Lida com alienígenas, religião, teoria do caos, música, sexo, drogas, Beatles mortos. Te faz pensar sobre como as coisas são. Sobre quem você é. Sobre quem quer ser. Claro, tudo depende da importância e da atenção que você dá. Mas tem muita coisa importante ali, nas entrelinhas, no meio de todo aquele emaranhado de informação. Um caminho escondido pra fora da toca do coelho.
É tudo verdade! Ou é tudo mentira?
Digo sem exagero que todo mundo deveria ler pelo menos uma vez na vida. Duas, três, seria o ideal, mas pelo menos uma vez. Vale insistir quando está meio chato e confuso. Depois faz sentido. Muita coisa só se encaixa depois de muita leitura. E outras só se encaixam pra você. É normal não ser fácil. E tudo bem se você não gostar. Pelo menos você leu. Quem sabe você já é um invisível e nem se deu conta."
"Traje Ficcional, ATIVAR!"
Será que ele está pensando no Alan Moore?
Brincadeirinha! Ou não.
muito obrigado!
vou publicar no próximo "encheção de linguiça do bem" rs
é uma seção de textos que não são conteúdo da Zona, mas que valem muito a pena ler
muito bom!
além de creditar a autoria, quer que coloque contato?
sabe lá o que pode aparecer
rs
Magia do caos e tal...
rs
Valeu!
Cara, pode pôr o email. Fiquei curioso pra saber se alguém vai escrever algo, e o que vai escrever.
O texto vai ficar vagando pela internet e infectando vários tipos de pessoas, quero ver se alguém é tão maluco quanto nós
kkkkkkkkkkkkk
Anderson.mendes.vieira@
gmail.com
Então é isso. Propostas de casamento, ofertas de emprego, convites para batizados pagãos, rituais de magia do caos por meio de orgias, mensagens de ódio ou carências em geral no e-mail acima. Pelo que eu conheço desse cidadão, ele é um imã de gente estranha. Que comecem os contatos imediatos em 3, 2, 1...
"Na disputa entre o Céu e o Inferno nós somos o prato principal"
Quem gosta do gênero de horror sofre. Encontrar, independente da nacionalidade, um bom autor de histórias de horror, e eu digo horror com tutano (grafismo e violência - dentro do contexto, claro), dentes (mais gore e violência por favor!) e espinhos (uma dose de crítica social, sempre!) é um tanto quanto trabalhoso. Quem, como eu, está sempre procurando novidades nesse gênero, às vezes esbarra em becos sem saída, falsas promessas e narrativas que estão aquém das expectativas e hypes. Frustrante? Bastante. Ninguém gosta de chegar ao final de um livro (ou uma HQ) e se dar conta que as horas investidas passeando por aquela obra poderiam ser bem melhor empregadas lendo alguma outra. Mesmo assim, seja na música, cinema, literatura, os tiros no escuro têm que ser dados, o empreendedorismo para conhecer as novidades não pode morrer. Aos teimosos que não têm medo de arriscar pegar algo para ler, escutar ou assistir, conhecendo pouco ou nada a respeito da obra/autor, a recompensa às vezes chega na forma de excelentes surpresas.
Peguemos como exemplo o autor César Bravo: Esse paulista de Monte Alto publica seus contos há bastante tempo de forma independente (mais em facebook.com/cesarbravoautor, ou no blog coisasdobravo.blogspot.com.br), mas "Ultra Carnem" é seu primeiro livro físico. Não que ele precisasse disso para obter reconhecimento e estabelecer uma base de fãs, coisas que Bravo já conquistou há bastante tempo. Com seu estilo que reverencia mestres como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Clive Barker, mas ao mesmo tempo situa o leitor num cotidiano bem brasileiro, e sem maneirar na violência e em imagens intensas e pavorosas, não é de se admirar que esse autor esteja cada vez mais em evidência. Com este primeiro lançamento do autor pela Darkside Books, César Bravo dá um sopro de vida em um subgênero pra lá de esgotado e batido do horror - o satanismo e a demonologia - e devolve todo o grafismo, crueldade e perversidade que esse nicho da literatura de horror exige - e merece.
1 - O ABANDONO:
"Havia alguém ali. A figura conseguia ser mais negra que a noite. Era alta, ocupava toda a abertura do vão da porta. A coisa também tinha olhos. Eram intensos, brilhavam como brasa. Notando o padre mais perto, o visitante recuou um passo para fugir da luz. Apesar do medo que sentia, do coração aos pulos dentro do peito, Giordano avançou em sua direção"
Ultra Carnem (do latim "além da carne") se passa na cidade de Três Rios, interior de São Paulo. o livro é estruturado em quatro partes, mais um epílogo que amarra toda a trama. Tudo começa quando Vladimir Lester, um menino cigano, é enviado ao orfanato da cidade, aos cuidados do Padre Giordano. O menino foi expulso de sua tribo por razões desconhecidas para o padre, porém nada aparenta para ter merecido tal sina. Lester é introspectivo e não se integra com os outros meninos, e prefere ficar confinado em um quarto, com suas pinturas e esculturas. O menino utiliza uma misteriosa tinta para produzir suas pinturas, e o sentimento de xenofobia por parte de outras crianças do orfanato acaba culminando em um trágico episódio de bullying onde tomamos conhecimento do Mal que Vladimir Lester traz consigo. As consequências deste conto de abertura, um flashback no início do século XIX, irão reverberar através de todo o restante da história. 2 - GÊNESIS:
"Nôa ainda estava à janela. Olhava para o lado de fora, para as formigas proletárias que trafegavam esperando um pé divino vir pisoteá-las. Crianças, velhos, adultos - eram todos feitos da mesma argamassa: aceitação e agonia."
No conto seguinte, já nos dias atuais, conhecemos Nôa, um jovem pintor sem talento, obcecado com a história do menino cigano pintor. Nôa roubou um livro em uma loja de curiosidades que contava fragmentos da tenebrosa história de Vladimir Lester, e no ápice de sua obsessão, (digna de um personagem de H.P. Lovecraft, daqueles que só param quando já viram demais, e já estão à beira da insanidade), empreende uma caça aos artefatos do menino: as pinturas, a escultura da ciganinha - a relíquia favorita do garoto, e sua tinta especial. Seguindo pistas e investigando os fatos do passado, Nôa segue em uma caça ao tesouro diabólica neste conto, que flui ainda melhor que a abertura do livro, com um clímax que não deixa a desejar. 3 - O PAGAMENTO:
"Ele a usou como lata de lixo, santo Deus!
O tórax era mantido separado por uma trava de volante. Lá dentro, havia papel, latas de cerveja e guimbas de cigarros. O Açougueiro até defecou dentro dela. "
Neste terceiro conto acompanhamos Marcos, um técnico de informática à beira da falência, que mal consegue sustentar sua mulher, com a qual já não se entende mais, e seu filho Randy (em homenagem ao guitarrista Randy Rhoads), portador de necessidades especiais. Após realizar um serviço de reparos para uma lojinha de curiosidades - a mesma onde Nôa rouba o livro no conto anterior - sua dona, não tendo o dinheiro que Marcos lhe pede pelo serviço prestado, o paga de outra forma. Logo, Marcos consegue tudo que sempre desejou. Mas suspeita que o preço seja alto demais. Nessa história, Bravo exercita seu lado Clive Barker e nos dá cenas repugnantes, perpetradas pelo personagem conhecido como "O açougueiro". Cada vez que O Açougueiro aparece, o livro sobe para censura 90 anos, como se pode constatar no trecho ali em cima. Mais um conto onde não paramos de virar as páginas até chegar a seu ápice sangrento e arrepiante. 4 - O INFERNO:
"- Quem são eles? - perguntou, notando que os homens dentro da cela continuavam acuados.
- Negociantes. Estão aqui embaixo porque passaram a perna em todo mundo lá em cima. Aqui você tem corruptos, advogados inescrupulosos, investidores da bolsa, traficantes de mulheres... Não os borra-botas que sujam as mãos. Eles são os cabeças, se é que você me entende. Lá em cima, eles só tinham ouro e poder, aqui embaixo só tem uns aos outros. Eles discutem o tempo todo. Quase sempre a discordância evolui para a violência. É quando fica mais engraçado. Eles se mordem, furam os próprios olhos com suas canetas caras, depois acordam e fazem tudo outra vez. De novo, de novo e de novo."
Na quarta e última parte do livro vemos que os três contos anteriores se entrelaçam e desembocam neste aqui. Lucrécia, uma garçonete que escuta uma conversa que não deveria ser escutada por ninguém deste mundo, acaba sendo cooptada pelo próprio Diabo para auxiliar o Inferno a angariar almas e voltar a equilibrar a disputa com a concorrência. Lucrécia, que teve uma vida amarga e plena de sofrimentos, tragédias pessoais e escolhas erradas, aceita servir a Lúcifer por não simpatizar com o outro lado, por se sentir abandonada por Deus a sua vida inteira. Aprendemos que temos que nos levantar e recomeçar quando caímos, mas Lucrécia teve uma vida inteira de quedas brutais, até esta queda derradeira ao inferno. Nesse conto, Bravo solta a imaginação e vemos infernos dentro de infernos, amálgamas culturais do submundo, como funcionam as hierarquias, suas criaturas, a motivação de Lúcifer e suas legiões para desempenharem seu trabalho sem fim e até o destino de alguns personagens que apareceram nos contos anteriores.
5 - OS TRÊS REINOS:
O epílogo de "Ultra Carnem" fecha as pontas soltas dos protagonistas restantes, porém deixando um gancho sem forçar a barra para um possível retorno. Se foi intenção do autor, aguardemos por isso com prazer. Afinal, o Inferno está sempre querendo aumentar o número de seus ocupantes...
Apesar de certos momentos um tanto quanto previsíveis - como a identidade do personagem Lúcio, a narrativa é bastante fluida e o autor constrói com facilidade e desenvoltura tanto seus personagens quanto cenários extremamente críveis, o que facilita ainda mais a imersão nesse mistério macabro de quase 400 páginas. Do hotel barato de periferia sujo, insalubre e perigoso, e acredite, Bravo descreveu um com perfeição (não pergunte como sei disso - Ok, só digo uma coisa: Rua das Marrecas, RJ kkk) até o Inferno multicultural e amalgamado com muita competência no último conto, César Bravo nos leva com tremenda facilidade ao longo de sua história, suas linhas de tempo, dimensões infernais ou uma árida cidadezinha "no cu do mundo" sem se perder, nem perder o interesse do leitor. Os personagens são desenvolvidos ao ponto de este não ser um livro de horror gratuito. Ou melhor, o horror se passa em níveis diversos que não só o horror gráfico descrito em suas páginas. Vemos horror na história de Lester, que reflete a xenofobia, em especial o preconceito com o povo cigano, ou o horror do abandono infantil na realidade do orfanato, ou ainda a dificuldade que é viver de arte em nosso país, dilema que Nôa enfrenta antes de ser tocado pelo inferno. Ou ainda Lucrécia, que reflete a profunda descrença, desânimo e cinismo frente às porradas que a vida dá. Não raro as motivações dos protagonistas esbarram diversas vezes nos pecados capitais da Divina Comédia, de Dante, o que gera um sentimento ambíguo durante a leitura, já que apesar de haver a possibilidade de se apegar a esse ou aquele personagem, talvez todos estejam invariavelmente condenados. A parte gráfica do livro é o "Padrão Darkside": muito capricho e tudo pensado em perfeito alinhamento com a temática da história, com símbolos pagãos e desenhos que parecem saídos de manuais medievais de demonologia entre os contos, e na parte interna das capas uma pintura que lembra Bosch, com seu "Jardim das delícias terrenas", mas só a parte do Inferno, claro rs. O simples manuseio de "Ultra Carnem" não é para os fracos de estômago ou de espírito.
Bosch feelings...
Por um instante achei que tinha o livro de São Cipriano nas mãos. De novo.
Aceitem um conselho: não leiam nada dessas páginas intermediárias em voz alta
E se você acha que o Diabo não é tão feio quanto pintam, é porque não viu o Diabo pintado por Vladimir Lester, ou melhor, pelo César Bravo!
Ah, e quando for começar a leitura, não esqueça de ligar na playlist do Spotify, elaborada pelo próprio autor, para uma imersão completa em sua viagem ao inferno...
A arte está em constante movimento e
se transformando em algo novo, através de influências, inspirações
e releituras; assim como “Os Livros da Magia” de Neil Gaiman,
inspirando J.K Rowling a criar “Harry Potter”; “Battle Royale”
ajudando Suzanne Collins a compor o mundo de “Jogos Vorazes”; “Eusou a Lenda” de Richard Matheson inspirando George A. Romero em seu
“A Noite dos Mortos Vivos”. Mas você já se perguntou o que
inspirou obras como “Admirável Mundo Novo”, ou “1984”?
Trata-se do livro “Nós”, do russo Evgeny Zamiatin (Евгений
Замятин).
Apesar de pouco conhecida até então (e de difícil acesso), a obra
é de extrema importância e influenciou diretamente autores como
Aldous Huxley, Anthony Burgess e George Orwell em suas obras mais
icônicas.
Considerado um dos maiores autores
russos do século XX, Zamiatin ganhou sua primeira biografia somente
em 2013, pelas mãos da autora J.A.E. Curtis, intitulada “The
Englishman From Lebedian: A Life of Evgeny Zamiatin”. O livro faz
um apanhado desde a sua infância até seus últimos dias, passando
por toda sua formação cultural, revelando o homem, suas
preocupações e seus fortes princípios.
Evgueny ZamIatin se definia como um
herege e costumava desagradar as sociedades retratadas em seus
contos, livros e peças de teatro, mostrando o que ninguém queria ou
gostaria de ver - sempre enfiando o dedo na ferida e sofrendo as
consequências por conta disso. Durante o período que viveu na
Inglaterra (supervisionando a construção de um navio para seu
país), escreveu “Os Ilhéus”, que era uma crítica à sociedade
inglesa. A obra ofendeu tanto aos ingleses, que não foi possível
sua publicação na terra da Rainha. Antes disso, na Rússia, teve
seu romance “Au bout Du Monde” censurado pelo órgão de
repressão do Czar, por ser considerada ofensiva.
“Nós” foi escrito entre 1920 e
1921, pouco depois da revolução russa (ocorrida em 1918) e lançado
em inglês no ano de 1925; como um alerta para os perigos do
totalitarismo que o autor estava presenciando logo nos primeiros anos
de criação da antiga União Soviética. Depois que o livro foi
“descoberto” pelos membros do partido comunista, Evgueny Zamiatin
acabou se vendo obrigado a pedir exílio à Stalin para fugir de
represálias, indo viver na França até a sua morte. A primeira
edição russa do livro só saiu em 1988, durante a abertura política
e econômica promovida pela Perestroika de Gorbachev. O livro já
havia sido lançado por aqui em 1963 com o nome “A Muralha Verde”
e posteriormente pela editora Alpha Omega, já batizada como “Nós”.
No mundo criado pelo autor, nos
deparamos com uma sociedade distópica em que todo o individualismo
some por completo. Os nomes também são abolidos e os membros da
sociedade são identificados apenas por números. A palavra “eu”
foi extinta, pois tudo é realizado para a coletividade; tudo se
resume a “nós” (daí o nome do livro). Após uma grande guerra
que durou 200 anos e dizimou 80% da população mundial, surge a
figura do Benfeitor: O Grandioso Estado Unifcado. Travestido num
discurso de “bem estar para todos” e sob o argumento de expandir
a felicidade, o governo impõe goela abaixo sua fórmula matemática
para a perfeita felicidade - que também se tornou apenas mais um
processo burocrático estatal. O Estado decide quando e como você
come, quando dorme, do que você gosta e com quem se relaciona. O
amor, os sonhos, a fé em um ser divino e as dúvidas também passam
a não mais existir. As paredes e portas são transparentes para
facilitar a vigilância e “proteger” a todos, como no Grande
Irmão de George Orwell. Tudo é definido a partir de cálculos
matemáticos - inclusive o sexo. Existem dias específicos para a
prática de tal ato. Além disso, todos têm direito ao corpo do
outro para fins sexuais, bastando apenas cumprir as formalidades de
preencher alguns formulários e requisições.
O livro é contado através das
anotações do D-503, um construtor da nave Integral, que levará
esses escritos como relatos dessa sociedade perfeita, para que as
civilizações em outros planetas tenham acesso ao
"maravilhoso mundo matematicamente feliz, proporcionado pelo
magnífico Estado Unificado".
Caso não sejam convencidos por palavras, o Estado Unificado se verá
obrigado a usar a força para torná-los felizes, usando todo o
arsenal bélico (caso seja necessário). Impor a força para te fazer
o bem, mesmo contra a sua vontade, é um contra-senso absurdo, mas
que ainda é usado à exaustão. É com esse tipo de argumento que se
invadem alguns países hoje em dia e se impõe um determinado regime
político à força.
Enquanto toda a humanidade se rende a
Henry
Ford em
"Admirável Mundo Novo" (mudando, inclusive a forma de
dividir a história do mundo entre "antes e depois de Ford"),
em "Nós", Taylor
é considerado um profeta. A conclusão que podemos tirar com isso é
que: os conceitos da administração científica podem acabar com o
mundo como conhecemos, transformando todo comportamento humano em
movimentos robóticos, calculados e programados, nos mergulhando em
uma imensa distopia.
Já nas primeiras páginas, podemos
notar muitos elementos que depois seriam explorados também em livros
como "Laranja Mecânica" de Antony Burgess, ou no
"Farenheit 451" de Ray Bradbury - além das obras já
citados acima. Durante a leitura, você pode, como num jogo, tentar
descobrir em quais partes as histórias foram influenciadas por este
livro. Para os fãs dos autores mencionados até aqui, digo que
certamente é uma obra que não pode faltar na sua lista de leitura.
Para quem nunca leu nenhum desses livros, sinta-se privilegiado por
ter a oportunidade de conhecer a “pedra fundamental” que deu
origem a todas essas obras. Enquanto muitos usaram “Nós” como
influência e inspiração, outros preferiram nem se dar ao trabalho
de disfarçar que estavam copiando descaradamente, como é o caso de
Any Rand no livro Cântico. Mas isso não vem ao caso agora.
Poucas adaptações foram feitas da
obra de Zamiatin. O livro ganhou uma adaptação para a TV alemã em
1982, batizada de “Wir” (nós, em alemão) e dirigida pelo checo
Vojtech Jasny. Estamos esperamos uma boa alma que faça as legendas
deste filme.
Uma outra adaptação, um curta
metragem francês de 2016, está completo no youtube. Dirigido por
Alain Bourret, recebeu o nome de “The Glass Fortress”.
Apesar de a ideia de se viver num
mundo distópico possa parecer algo muito distante de nós (pensando
bem, nem tanto), no caso de Evgueny Zamiatin, ele estava vendo
acontecer diante de seus olhos. O que parecia óbvio e assustador
para o autor, não era perceptível para a maioria das pessoas. Fica
a pergunta: Será que todos que vivem em uma distopia, sabem que
estão inseridos em uma?
A arte não é feita somente para
agradar aos sentidos e nos deixar extasiados com sua beleza. Serve
também para contestar o status
quo. Segundo o próprio
autor, “a arte deve ser feira por loucos, hereges e visionários”.
Quando a arte se torna subversiva por apontar para uma outra direção
- ajudando a fazer cair as vendas dos olhos, derrubando conceitos,
tabus e "verdades absolutas" - talvez ela esteja cumprindo
bem o seu papel. Para perceber se o objetivo foi alcançado, basta
notar se o alvo se incomoda, e observar como reage quando isso
acontece.
A edição da Aleph lançada em março
deste ano, além de dar um tratamento caprichado em capa dura, digno
de sua importância, traz entre seus extras uma resenha de George
Orwell, em que ele faz o paralelo entre “Nós” e “Admirável
Mundo Novo”. Certamente “Nós” estava naquele momento, ao lado
de sua cabeceira, cheia de rabiscos e anotações enquanto escrevia
1984.
Só Admirável Mundo Novo, senhor Orwell?
Além disso, a edição traz a
comovente carta de Zamiatin enviada a Stálin, solicitando exílio
devido à constante perseguição que vinha sofrendo por conta de
suas obras. Mais que uma mera curiosidade, trata-se de um importante
documento histórico.
Como já foi dito, a obra é um
excelente manifesto e um alerta para os perigos do totalitarismo,
além de suas discussões no seu aspecto filosófico, antropológico,
religioso e histórico. Atualmente, além deste livro, só temos de
Zamiatin o conto “A Caverna” traduzido para o português.
Esperamos que esta seja uma nova porta se abrindo para as outras
obras do autor que, mesmo após um século, ainda continua sendo tão
influente e se mostrando mais atual que nunca.
O Planeta dos Macacos desperta lembranças diferentes em cada um. Enquanto alguns se lembram do filme com Charlton Heston, outros já se recordam do realizado por Tim Burton em 2001. Os mais velhos ainda podem lembrar da série de TV, ou dos desenhos animados. Mas pouco se fala sobre a obra original. Aquela que foi responsável por nos apresentar a essa sociedade dominada pelos macacos. De certa forma, os filmes acabaram ofuscando um pouco o livro. Mas será que alguém precisaria ler o livro, depois de tantas adaptações para o cinema e TV? Será que alguma coisa de interessante ainda tinha a ser lida sobre o tema? A dificuldade em se conhecer a obra original, também ajudou a deixá-la perdida no tempo. Para nos salvar, a Editora Aleph resgatou o livro no limbo do esquecimento. Mas ainda existia a dúvida: será que mesmo assim vale a pena?
Será?
O francês Pierre Boulle escreveu uma história que se passa durante a segunda guerra mundial no livro A Ponte do Rio Kwai (lançado em 1952) tendo como base a sua experiência como combatente, quando atuou contra o avanço do exército nazista. Cinco anos após o lançamento, acabou ganhando uma respeitada adaptação para o cinema, vencedora de sete Oscar, incluindo os de melhor filme, melhor diretor e melhor ator. (Sim, você está certo. A inspiração para o nome daquela “brincadeira” que passa naquele rasteiro programa dominical, veio desse filme sim. A música assoviada durante o quadro, também é do filme).
Agora já consagrado, Pierre Boulle resolveu mudar de gênero literário, optando por contar uma história de ficção científica e o fez com uma facilidade (e qualidade) espantosa. Era nada mais, nada menos que "O Planeta dos Macacos". O livro fez um enorme sucesso e rapidamente atraiu mais uma vez a atenção de Hollywood, que não poderia deixar de se aproveitar do êxito de mais essa obra. Mas não vamos falar sobre as adaptações para outras mídias agora: Estamos elaborando um dossiê com tudo de relevante relacionado universo símio na cultura pop, em breve no Zona Negativa.
Dr. Gori e Karas nos ameaçaram, caso o dossiê não saia.
Por hora, vamos direto ao livro:
A história é narrada através da leitura de uma mensagem encontrada numa garrafa perdida no meio do espaço, escrita por Ulysse Mérou, tripulante de uma nave que está em uma missão de exploração espacial. Nela, ele conta suas experiências ao pousar no planeta Betelgeuse, junto com outros dois tripulantes. Pousando na superfície do planeta, percebem que é possível respirar normalmente e resolvem fazer o reconhecimento do local. Notam que existem muitas semelhanças com a Terra e logo descobrem um grupo de humanos com comportamento animalesco. Enquanto tentam se familiarizar com os nativos, são surpreendidos por gorilas agindo de uma maneira, até então, surpreendente. Montados a cavalos e com armas em punho, capturam alguns humanos (além de dois dos tripulantes). Após a confusão inicial, podemos perceber que, naquele planeta, quem evoluiu foram os macacos, enquanto os humanos não passavam de bestas selvagens.
Aos poucos, descobrem que nosso viajante espacial é um humano diferente dos outros. Enquanto vários cientistas o estudam para saber o seu grau de evolução e inteligência, Zira, uma das cientistas, acaba lhe dando um pouco mais de atenção, percebendo que ele é mais que um animal um pouco mais evoluído, ou apenas bem adestrado. Com o passar do tempo, os dois conseguem manter um contato maior, enquanto aprendem a se comunicar um com o outro. Sua existência é mantida em segredo para que seja revelado somente no momento certo. Nosso personagem principal acaba se encantando por uma humana selvagem, passando a chamá-la de Nova. Seus constantes pensamentos nela acabam, por vezes, influenciando em suas atitudes
Quando finalmente é revelada a existência de um humano que fala, com inteligência e capacidade de raciocínio, acaba desencadeando uma onda de conflitos de interesses, inveja, intriga e medo por parte de alguns. Enquanto uns consideram tal descoberta uma ameaça real à existência da sociedade dos símios, outros acreditam que ele pode ser o elo perdido na cadeia de evolução dos macacos.
Invertendo o ponto de vista, o autor aproveita para mostrar a crueldade com que os animais são tratados, colocando os humanos no lugar dos macacos como cobaias nos experimentos científicos. Seguindo a linha de raciocínio dos símios: “Não existe nada de errado em usar pessoas para os experimentos. Afinal de contas, são só humanos. Eles não pensam, não possuem sentimentos e só agem por instinto.”
O que nos define como humanos? A capacidade de raciocínio? A consciência da própria existência? Possuir uma alma? Caso tivéssemos um contato com um ser tão inteligente e desenvolvido quanto nós, como será que reagiríamos? Será que os aprisionaríamos e os trataríamos como aberração? Certamente não viveríamos em harmonia, pois não conseguimos fazer isso nem com nossos semelhantes.
Mesmo que você acredite que conhece bem a história e já sabe o final do filme, eu te digo: É bem diferente e vale muito a pena. As situações criadas passam muito mais credibilidade que nas várias adaptações que só utilizaram alguns (poucos) elementos apresentados no livro. A maioria só pegou o cenário de um mundo dominados por macacos sem explorar muito o potencial do argumento. A impressão que se tem é de que o “cenário” lhe parece familiar, mas a história é totalmente nova. Principalmente por conta do final, que me soa muito mais impactante e interessante que o do filme. O livro acaba nos deixando com um gostinho de quero mais. Infelizmente o autor não voltou ao planeta Betelgeuse. Pensando bem, talvez isso possa ter sido uma boa idéia.
ALERTA!!
Caso leia o livro, fique um bom tempo longe do filme de 1969. Chega a ser embaraçoso toda a transformação que fizeram com a história. Ver o personagem ser transformado no estereotipo de um típico americano - arrogante, sarcástico, valentão, bom de briga, garanhão e que é bom com armas de fogo - deixa a gente com um gosto ruim na boca. Ou será que eu estou errado e todos os astronautas são assim? Vai ver estou mal informado. Afinal de contas, se precisar pousar em algum planeta e tiver que sair na mão com alguns seres que vivem por lá, é bom estar preparado mesmo. O Capitão Kirk já mostrou diversas vezes que isso é necessário. Mas podemos encaminhar essa pergunta ao astronauta brasileiro Marcos Pontes. Ele saberia confirmar.
Cenas de perigos reais encontrados no espaço
Agora junte-se ao orangotango Clyde, à chimpanzé Chita e ao gorila Grodd, para acompanhar as aventuras nessa excelente história de ficção científica e torça para que eles não se unam contra você para te escravizar.